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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sobre a crise e tal

É canalha a enxurrada de demissões que os patrões promovem desde o final do ano passado.
A desculpa é a crise mundial, que assola o mundo. Crise, já provada, causada pelo setor privado e sua sede por mais e mais, sempre querendo ceder menos e menos.
E a canalhice é tamanha, pois as alegações são vazias. Culpar a crise é simples. Pois, os patrões sabem que a massa de empregados, desesperada, não irá contra argumentar e pedir mais detalhes sobre sua saída forçada da empresa.
Qual é o real motivo? Demitir dois, três, 15, 20, mil funcionários vai mudar o que dentro da firma. Irá mantê-la no marcado? Ou a demissão é feita para que o patrão consiga manter seus lucros?
Nos últimos anos, a economia mundial esteve em alta, uma grande e farta maré. Uma série de empresas divulgaram lucros fenomenais. Bancos, Metalúrgicas, empresas de comunicação ganharam dinheiro à rodo. O que foi feito com essa grana? Para onde foi? Porque esse capital não é gasto agora, em época de vacas magras, para segurar as pessoas que ajudaram no tempo de sucesso?
Piores são os patrões que não demitem. Mas usam a “crise” para aterrorizar os seus empregados. “Olha, eu não vou demitir ninguém, mas vocês terão que trabalhar mais. Sabe como é? A crise está ai.”, afirma o patronato bonzinho. “Mais e sem acréscimo de salário, prêmio ou coisa que o valha.”
E assistindo a tudo, de longe, só observando, estão os sindicatos. Cada vez mais domesticado, cada vez mais “responsável”, o órgão que deveria brigar pelos empregados contenta-se com migalhas privadas e estatais e transforma-se em pequena instituição, fechada, mas sempre na luta por mais adeptos e suas mensalidades em nome da luta por melhores condições.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Uma explicação (simples)

por Vilauba Herrera

Finalmente uma explicação menos burocrática.


Obrigado pai e Serjoto.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Matéria (de) serviço

por Vilauba Herrera

Matéria do Jornal Nacional sobre finanças. O personagem foi demitido por causa da famigerada e soturna crise mundial. A pauta é mostrar para ele que se economizar, consegue sobreviver por mais de um mês com o último salário, até encontrar outro emprego.

Com especialistas da GV, USP, Harvard, ficou comprovado que se ele parar de pedir a pizza quinzenal, junto com refrigerantes, se parar de tomar aquela cervejinha no final de semana e se não levar os filhos para passear nas folgas, Fulano conseguirá levar sua vidinha por mais um tempo, antes de ter que pegar um empréstimo com um banco, na agiotagem legal, ou até mesmo escalar a molecada para pedir uma grana no sinal.

O engraçado é que a matéria paga de honesta, que faz um serviço para o telespectador. Bobagem. isso é velho, velho e injusto, picaretagem brava.

Porque não fazem uma matéria mostrando o "sofrimento" do dono da empresa que demitiu fulano. Limou o cara da firma para poder continuar lucrando a mesma coisa que lucraba antes da crise. Para continuar toamdno champã, perrier, andando de jatinho e dando entrevista para a Veja e para o Amaury Jr. Pagando de empresário responsável.

E mais uma vez, não me venham os realistas com "mas é a Globo, você tem que ver..."
Bando de picaretas!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Mera semelhança

por Vilauba Herrera


"Mas é preciso entender que esta não é uma situação normal. É uma situação de exceção, e para lidar com ela precisamos tomar medidas de exceção."

Quem disse isso não foi Jarbas Passarinho, no dia da instauração do AI5, em 1968. Foi Roger Agnelli, presidente da Vale, em entrevista ao Estadão. A Vale é uma das maiores mineradoras do mundo. Ela era do Brasil e graças ao FHC, agora é do Agnelli e de alguns acionistas por ai.

Agnelli, diz que "o governo e os sindicatos precisam se convencer da necessidade de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas: suspensão de contrato de trabalho, redução da jornada com redução de salário, coisas assim, em caráter temporário", claro.

O CEO (é assim?) diz até que aceitaria diminuir o próprio salário. Bacana ele, né? Cortar a própria carne. Só que ele não diz que carne não falta em sua geladeira, que ele pode ficar sem salário durante décadas, pois "quando cheguei à Vale, ela era a oitava empresa do mundo no setor de mineração. Hoje, é a segunda. Eu acho que ainda tenho muito para fazer." Uma das coisas a fazer é cortar o salário de milhares de funcionários e demitir outros milhares. Excelente gestor.
Agnelli, assim como outros CEOs, preocupados com o futuro de suas mega-multi-empresas, adota a mais que idosa política do terrorismo de baixo para cima (mas que fica sempre embaixo).
Ele quer cortar salários, quer cortar direitos trabalhistas, demitir, para que o lucro de sua empresa continue o mesmo, ou pelo menos parecido.

A pergunta que fica é. Porque em uma crise criada por grandes corporações, quem paga o pato são os peões?
Como diz o editorial do jornal "Brasil de fato", as "propostas de mesma índole que, com toda a dominação ideológica a que submete as demais classes (e estas introjetam), fazem com que, no limite, os dominados não desenvolvam outra lógica, que não aquela que nos diz "dos males, o menor": melhor ganhar menos, que estar desempregado."

Na sequência, também aproveito o editorial, para deixar alternativas, aquelas que os CEOs, gênios do mercado, nunca conseguem pensar. Porque será?

"Portanto, por que não imaginarmos, por exemplo, que os bilhões injetados (pelo estado) enquanto empréstimos nas grandes financeiras e bancos, não devam ser feitos como compras de ações pelo Estado?
Por que não pensar que as reduções salarias podem ser feitas, desde que entendidas e regulamentadas como compra de ações das empresas pelos trabalhadores?

Fica ai a dica.

(valeu Alípio!)