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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sobre a crise e tal

É canalha a enxurrada de demissões que os patrões promovem desde o final do ano passado.
A desculpa é a crise mundial, que assola o mundo. Crise, já provada, causada pelo setor privado e sua sede por mais e mais, sempre querendo ceder menos e menos.
E a canalhice é tamanha, pois as alegações são vazias. Culpar a crise é simples. Pois, os patrões sabem que a massa de empregados, desesperada, não irá contra argumentar e pedir mais detalhes sobre sua saída forçada da empresa.
Qual é o real motivo? Demitir dois, três, 15, 20, mil funcionários vai mudar o que dentro da firma. Irá mantê-la no marcado? Ou a demissão é feita para que o patrão consiga manter seus lucros?
Nos últimos anos, a economia mundial esteve em alta, uma grande e farta maré. Uma série de empresas divulgaram lucros fenomenais. Bancos, Metalúrgicas, empresas de comunicação ganharam dinheiro à rodo. O que foi feito com essa grana? Para onde foi? Porque esse capital não é gasto agora, em época de vacas magras, para segurar as pessoas que ajudaram no tempo de sucesso?
Piores são os patrões que não demitem. Mas usam a “crise” para aterrorizar os seus empregados. “Olha, eu não vou demitir ninguém, mas vocês terão que trabalhar mais. Sabe como é? A crise está ai.”, afirma o patronato bonzinho. “Mais e sem acréscimo de salário, prêmio ou coisa que o valha.”
E assistindo a tudo, de longe, só observando, estão os sindicatos. Cada vez mais domesticado, cada vez mais “responsável”, o órgão que deveria brigar pelos empregados contenta-se com migalhas privadas e estatais e transforma-se em pequena instituição, fechada, mas sempre na luta por mais adeptos e suas mensalidades em nome da luta por melhores condições.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Não aceitem!!



por Vilauba Herrera

Paul McCartney e Ringo Star foram convidados pelo governo israelense para participar da comemoração do 60º aniversário do país, a ser comemorado em maio deste ano. Além do convite, foi junto um pedido de desculpas pela proibição, em 1965, da visita dos Beatles ao estado judeu. A pedido de perdão foi estendido para os familiares de John Lennon e George Harrison.

Na época, a alegação usada pelos políticos foi que que um show da banda que revolucinou a música mundial, poderia "perverter" a juventude israelense.
Um trecho da carta-desculpa diz: "Infelizmente, o Estado de Israel cancelou a apresentação no país devido à falta de orçamento e porque vários políticos do Knesset (o Parlamento israelense) acreditavam, na época, que sua apresentação poderia corromper as mentes da juventude israelense."
Sim, os Beatles ajudaram a subverter a mente de milhões de jovens ao redor do mundo. A carta tem toda razão.
"A Hard Days Night", "Revolver", Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e "Abbey Road", foram alguns dos discos que fizeram a cabeça da juventude. Essa juventude que lutou para tentar acabar com a filosofia bélica dos países dominantes, com as ordens obsoletas da igreja e do mercado.
O movimento foi derrotado, como é sabido. No entanto, centelhas de resistência ainda queimam mundo à fora. Sorte a nossa.
Com certeza essas centelhas existem também em Israel. No entanto, durante os 43 anos que separam a censura e o pedido de desculpas, o governo israelense demonstrou a ausência de influência da geração Rock/hippie/soul/black/freedom, na qual os garotos de Liverpool possuem grande importância.

Assassinato de milhares de Palestinos, invasão e roubo das terras dos palestinos, a recusa de um debate sobre a criação de um estado palestino e até a criação de um muro que separa os israelenses dos palestinos, bem ao estilo dos muros construídos nos guetos da Alemanha nazista.

Não, o estado de Israel não merece a presença e muito menos um show dos últimos integrantes dos Beatles. É uma questão de bom senso, de justiça e de solidariedade com um povo que é, há dezenas de anos, massacrado por este país financiado pelo dinheiro, pelas armas e pela crença daqueles que impediram a tentativa de um novo jeito de ver o sol nascer.