por Vilauba Herrera
Os críticos gostam mesmo de meter o pau nos dinossauros da música brasileira. Isso não é novidade para ninguém, muito menos para Caetano Veloso.
Caê responder aos "jornalistas culturais" também já está ficando mais batido que cantor de pagode decadente que vira sucesso gospel.
Mas dessa vez o artista inovou nas rebatidas. Diante das matérias feitas pelos repórteres Sylvia Colombo, da Folha e Jotabê Medeiros, do Estadão, que criticaram a falta de criatividade e a monotonia do show de Veloso com o rei Roberto, o compositor de "Alegria, alegria" deu uma de Reinaldo Azevedo.
Assim como o capataz da Veja, chamado de [Rei] pelos seus leitores, Caetano disparou: "Escrevo isso só para mostrar aos que comentaram as críticas hilárias da província paulistana que também li e que fiquei com pena dos dois fanfarrões que não sabem nem escrever. O do Estadão então é inacreditável. Como é que qualquer editor deixa sair um texto com tantos erros de português, tantas redundâncias e obscuridades, tamanha incapacidade de articular pensamentos? A da Folha não sabe pensar mas exprime de forma primária esse seu não-saber", diz um dos trechos do texto "Marginal Pinheiros", no blog http://www.obraemprogresso.com.br/
Não assisti ao show e imagino que se a dupla não homenagear a bossa nova em praça pública, sem cadastramentos prévios e ingressos impagáveis, não assistirei.
Mas imagino, mesmo tendo pés atrás com os críticos da grande (de grana e poder) imprensa, que o espetáculo não tenha sido um espetáculo.
Já acho estranho colocar Roberto Carlos para cantar bossa nova. Mais bizarro é colocar Robertão, que aos 67, é (ou se vê) mais importante do que a própria bossa. Além disso, faz tempo que o rei não inova. Tenho até dúvidas se a Globo não repete o mesmo especial dele há anos.
Também acredito que Caetano tenha se emocionado ao cantar "Caminho de Pedra" e "O que Tinha de Ser". Mas como já disse e prova sua biografia, Veloso foi realmente lapidado pela bossa ( não só ela). Mas estranho é esse contra-ataque ríspido.
E não vejo Caetano defendendo Roberto, vejo em seu texto, a defesa do show em si, o formato, o conceito, como se Roberto/Caetano tivessem acabado de igualar os Doces Bárbaros, no Canecão. Não igualou.
Caetano Veloso e Roberto Carlos foram contratados pelo banco Itaú e homenagearam Tom, João, Carlinhos, Nara e toda a bossa por muito dinheiro. Prestaram serviço e devem até ter passado nota para trabalhar em uma festa para a elite (provinciana) paulistana e a (incrivelmente progressista moderna e descolada) carioca.
O funcionário Caetano soou pelego em sua resposta. Pois nem o próprio Itáu moveu-se para discordar.
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sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Força (monetária) estranha
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Roberto Carlos
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Pra que trombar?
por Vilauba HerreraPare, não pise na faixa amarela, não corra, não pare na porta, deixe o lado esquerdo livre na escada...
Avisos que nos perseguem nas andanças pela paulicéia.
Mas como se fosse birra, todo aviso que começa com a palavra NÃO, não é respeitado. Vai, um pouco, bem pouco respeitado. Isso é clichê, eu sei. Vamos mudar de assunto. Direto ao ponto.
Minha dúvida e irritação é saber porque as pessoas não desviam (de mim) na rua? Porque? Porque? (tom de desabafo)
Por que eu tenho que fazer todo o movimento de corpo para que as pessoas não esbarrem. Até com mochila, duas malas e uma gaiola, sou eu que preciso dar espaço para um moleque folgado de alguma faculdade presbiteriana de higienópolis passar. Ou uma mulher com o nariz empinado, que joga bituca de cigarro na rua e acha que todos os homens têm que ser cavalheiros com ela. Até mesmo aquelas quarentonas com roupa de pré-adolescentes que desembarcam do metrô com cara de brava, por terem despertado a libido do pessoal do vagão, e saem batendo o pé pelas alamedas.
O Estado deveria fazer uma campanha do tipo: "Seja consciente, mexa um pouco o ombro para o próximo".
Isso seria absloutamente rídiculo, eu sei. Primeiro, por que o povo tem que aprender a viver menos por campanhas (assunto para outro texto). Segundo, por que quando a palavra NÃO no aviso iria transformar as calçadas em algo parecido com um rinque de carros bate-bate.
Por enquanto, a rua é de passagem.
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