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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Fusões



Essa parceria entre Beyoncé e Lady Gaga me lembra aquelas fusões entre grandes empresas, tipo Time-Warner, Itaú-Unibanco, AmBev-Interbrew, entre outras, muitas outras. Musiquinha meia boca, consumo (sucesso) absoluto, grana escorrendo pelos cantos da boca das duas e de suas gravadoras (ou é a mesma? Uma fusão também?).Alegria para poucos.


É o braço da tia Globalização na (indústria) música, que não perde a filosofia: pouca opção para muitos (e muito, mais muito mesmo lucro para uma meia dúzia).

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ele era assim

Ele estava mais magro. As roupas brilhantes já não ficavam tão coladas em seu corpo. Mas em cima do palco a intensidade era a mesma. No dia 13 de julho, Michael Jackson ressurgiria para mostrar porque era (é) o Rei do Pop.

No filme póstumo “This Is It”, de Kenny Ortega, não ficaremos sabendo de detalhes sobre a bagunçada e polêmica vida particular do artista, nem o que causou a sua morte, aos 50 anos, no dia 25 de junho, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Na obra, que ficará apenas duas semanas em cartaz nos cinemas do mundo inteiro, os fãs poderão matar a curiosidade e ver como um gênio da música trabalhava. A obra é baseada em quase cem horas de gravações dos ensaios que “MJ” e sua equipe faziam para as 50 apresentações no O2 Arena, em Londres, Inglaterra.

Antes de Wanna Be Startin’ Something, música que abriria o mega show, jovens dançarinos se emocionam ao comentar a chance em trabalhar com o inventor do “Moonwalk”. Mesmo quando Michael mostra-se inacreditavelmente acessível, dançarinos e músicos demonstram medo em chegar perto da estrela. Em seguida vem “Jam”, “Smooth Criminal”, “Thriller”, “Beat it”, “Black or White”, Billie Jean… hits atrás de hits.

“This Is It” seria uma turnê grandiosa. Não é à toa que a empresa organizadora do shows perdeu cerca de 350 milhões de dólares ( R$ milhões) com a tragédia. Em seu retorno, Michael não iria poupar em figurinos, dezenas de bailarinos, alta tecnologia, luzes e dúzias de efeitos especiais. Tudo na mais perfeita sincronia e perfeição. Como ele mesmo disse a sua equipe, o objetivo era levar o público para outro mundo, um lugar de paz e alegria. Nada mais pop. Mas tudo bem, foi ele que criou isso mesmo.


(parte do texto foi publicado no jornal Agora SP de 29/10/2009)

domingo, 28 de junho de 2009

Ben Harper rockeiro


O texto já saiu na revista da hora faz um tempo, mas aqui vai.


Os últimos anos foram dedicados ao folk, ao gospel e a surf music, que lhe consagraram no mundo da música pop. Dessa vez não. Perto dos 40 anos, Ben Harper deixa as baladas com cheiro de maresia de lado e lança "White Lies For Dark Times", onde o rock and roll fala muito mais alto.

Ao lado da banda Relentless 7, com quem trabalhou em "Both Sides of the Gun", de 2006, o californiano volta a exigir mais de sua slide guitar. As letras mantém o engajamento e suas impressões sobre a cultura negra, mas com o peso e velocidade que o estilo pede.

Dedicado, o cantor e compositor californiano explora a potência da voz nas variadas vertentes do rock clássico, do qual é assumidamente fiel. Em "Number With No Name", Harper transborda melanina em um rock cheio de blues. Logo depois emenda com "Up To You Now", um grunge como aqueles que seu amigo Eddie Vedder costumava fazer no Pearl Jam. Com uma bateria marcante e melodia pegajosa, "Shimmer And Shine" remete ao começo da carreira do artista. Tem tudo para virar hit. O ritmo cai em "Skin Thin" e "Faithfully Remain", mas Harper se recupera na maliciosa "Lay There & Hate Me", que vai aos anos 70, bem na pegada Rolling Stones.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A rua e(é)duca

O mais engraçado da greve na USP é que os mesmos professores que pedem aumento de 16%, são os que dão entrevistas para a imprensa, dizendo que a crise esta aí e que não é aconselhável aos patrões, fazerem reajustes salariais aos seus funcionários.

O motivo da revolta é a entrada da PM depois de 30 anos? Perguntem para a vizinhança da USP o que eles achariam de a polícia invadir a casa deles de 30 em 30 anos. Pergunte para alguem do lado de fora da USP, o que ele acharia de receber um enquadro humilhante de 30 em 30 anos.

Não é concordar com a invasão dos samangos, gambés, coxinhas. Mas é um tanto ingênuo aumentar uma greve usando isso como motivo. Todos sabem que a polícia usa a reação de manifestantes para abusar de seu poder. Quem não sabe?

Deixem eles por ai, saiam todos do campus. Fechem as ruas. Se eles podem entrar, porque vocês não podem sair? Deixem eles com a reitora. Será ela a marcada por permitir a entrada da polícia em mais de 30 anos.

Aproveitem, intelectuais da academia, e olhem direito para São Paulo. Saiam de seus carros, façam passeatas, levem gente com vocês para fazer os seus ex-parceiros de piquetes, o governador e o presidente, olharem para a educação de forma real. A academia mudou, não é mais ela que só detém o saber (algum dia foi?).

Aproveitem para escutar os que estão chegando por ai. A realidade não se esqueceu dos antigos, mas não se deixou empoeirar. Só isso. Aproveitem para escutar a nova literatura (a litera rua)

Esse texto realmente não tem nenhuma novidade. O que estão esperando?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Presença

por Vilauba Herrera


Sabotage, ou Mauro Mateus dos Santos, é uma daquelas figuras que partiram e lamentamos não tê-las conhecido pessoalmente.
Zanone Fraissat o conheceu e, além disso, tem sua marca em um dos grandes discos da música brasileira, "O Rap é compromisso". Uma das obras de Zanone é esta ai em cima.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A festa tá ficando boa lá no alto


por Vilauba Herrera


- Puta que pariu, Mitch, até que enfim você chegou. Já estava quase chamando outro, Bonham tá de bobeira ai, sabia?
- Porra, tava lá fazendo uma preza para você. Ou acha que se não fosse eu, sua família e amigos, sua moral ainda estaria alta?
- Beleza, vamos deixar de papo e desenferrujar. Se você não se incomoda, chamei um pessoal para dar uma canja. Sabe como é, dar mais volume ao som.
- Isso nunca foi problema para você, cara.
- Pode ser, mas o tempo passa até aqui. Janes? Jim? Brian? John? George? "Simbora"?
- um, dois, três...
- Calma, chamei mais um para a jam. Moleque novo. Entra ai, Kurt.
- Agora vai. Vamo que vamo.
...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Música Popular Política

por Vilauba Herrera

No blog de Sérgio Dávila, o jornalista da Folha divulga uma lista divulgada pela assessoria de Barack Obama.

1. Signs – Snoop Dogg and Justin Timberlake 2. Ain’t No Mountain High Enough – Marvin Gaye and Tammy Terrell 3. Torn and Frayed – The Rolling Stones 4. C’mere – Interpol 5. Use Me – Bill Withers 6. Numb/Encore – Jay-Z and Linkin Park 7. I Feel it All – Feist 8. Hey Hey What Can I Do – Led Zeppelin 9. Kick, Push – Lupe Fiasco 10. I’ll Be Around – The Spinners 11. Big Weekend – Tom Petty 12. I’m on to You – Neil Diamond 13. Bones – Radiohead 14. Down by the River – Neil Young 15. When the Stars Go Blue – Ryan Adams 16. Maps – The Yeah, Yeah, Yeahs 17. Daughter – Pearl Jam 18. Season of the Shark – Yo La Tengo

Na hora pensei, até que o democrata tem bom gosto, é um cara eclético e tal. Foi ai que o professor Serjones alertou-se, logo após observar a lista.
"Cara, é até meio que óbvio um cara ouvir isso. É meio que pra agradar um pouco de cada gênero e são coisas boas de cada genero. Tudo muito pontual, que qualquer um gostaria também", disse Sérgio.
Concordei na hora e debatemos sobre o truque populista de Obama. Nada mais esperto fazer uma seleção que envolve o beabá de todas as tendências da música popular estadunidense, e divulga-lá para o mundo.
Mas tem um defeito gravissimo", disparou Sérgio. "Faltou Dylan, então não é uma lista de clássicos e sim uma lista clássica."
Falou e disse, professor.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Louco amor (Gang 90, Fellini, Exaltasamba, novela das 8 ...)

por Vilauba Herrera






O amor faz cometer loucuras deve ser a frase mais usada em letras de música popular e comercial do Brasil. Acho que do mundo. Mas, porra, não é que é. Essa semana dois casos populares-jornalísticos foram perfeitos para ilustrar a frase falada por Geraldo Azevedo, Luis Guilherme e Daniel, Mastruz com Leite...

De um lado, um ator perde a cabeça por causa da namorada e escreve um manifesto contra a nudez no cinema só para cutucar o diretor do filme em que a moça mostra os peitos.

No outro, um cara de 22 anos, que namorou 3 anos uma menina de 15, perde a cabeça e prende a garota por cinco dias e depois, com a ajuda da competente polícia, dá um tiro nela.

O amor é foda mesmo. Em alguma música deve ter algo como não subestime o amor ...Filipe e Thiago, Mariah Carey...mas é, acho que sim.

A diferença para as maluquices é brutal, claro. Mas é a mesma diferença do lugar onde Pedro mora e Lindemberg habita, a mesma diferença de salário, das idas à escola, ao médico...

Mas daí o blog fica monotemático.

Hoje o papo é amor... mas serve vamos falar de amor do Mala 100 alça, ou Forró dos Play's...?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ah, tá

por Vilauba Herrera


- Sonny Rollins, Puta que pariu, eu amo esse velhinho batuta.
- Quem é? Pai do Henry Rollins?
- Não, porra. O cara é saxofonista, tocou com o Monk, com o Coltrane, Art Blakey e Miles Davis!!! Um dos melhores jazzistas ainda vivo. Uma lenda.
- Ah, sei.
- Nunca vou esquecer esse véio. Foi com o disco Work Time, que conquistei Isabela. Porra, o disco é de 55, escutamos em 89, na faculdade e até hoje, por vezes, escuto ela sussurrar algumas músicas do LP, quando está tomando banho.
- Porra.......mas 250 contos, porra, daí é foda.
- Que dia é esse show?
- Dia 21.
- Nossa, não acredito.
- O que, fala ai?
- É nesse show que eu vou. O pessoal do trabalho empolgou de ir e eu vou também. Já imagino quantas gatinhas intelectuais estarão por lá. tenho um tesão doido em mulher de óculos, cabelinho curto, blasê.
- Ah...

FIM

obs:um dos episódios do elitismo cultural que assola o país verde e amarelo.

sábado, 6 de setembro de 2008

Bandeira Branca

por Vilauba Herrera

Recuperei o violão dos tempos de aulas com Luís, o "Branca". Daquela época, sobrou bandeira branca, que toco em novo arranjo. Na última vez que me apresentei para um público maior do que duas pessoas, causei comoção: os amigos completamente bêbados caíram na risada, já nos primeiros acordes. E caíram no chão mesmo, quando comecei a cantar e uma gordinha, amiga de não sei quem, que estava na casa do Nelson, na aprazível Itanhanhem (?), achou que eu a estivesse homenageando com "baleia branca". A guria saiu irada da sala, para delírio da multidão. E eu só fui perceber no camarim, após o espetáculo. Não me recordo a data deste show. mas agora, com o Di Giorgio nº 15 ali, encostado na sala, imagino voltar a tocar. talvez chamar um pessoal, fazer uma banda. Alguma coisa assim.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Força (monetária) estranha

por Vilauba Herrera

Os críticos gostam mesmo de meter o pau nos dinossauros da música brasileira. Isso não é novidade para ninguém, muito menos para Caetano Veloso.
Caê responder aos "jornalistas culturais" também já está ficando mais batido que cantor de pagode decadente que vira sucesso gospel.

Mas dessa vez o artista inovou nas rebatidas. Diante das matérias feitas pelos repórteres Sylvia Colombo, da Folha e Jotabê Medeiros, do Estadão, que criticaram a falta de criatividade e a monotonia do show de Veloso com o rei Roberto, o compositor de "Alegria, alegria" deu uma de Reinaldo Azevedo.

Assim como o capataz da Veja, chamado de [Rei] pelos seus leitores, Caetano disparou: "Escrevo isso só para mostrar aos que comentaram as críticas hilárias da província paulistana que também li e que fiquei com pena dos dois fanfarrões que não sabem nem escrever. O do Estadão então é inacreditável. Como é que qualquer editor deixa sair um texto com tantos erros de português, tantas redundâncias e obscuridades, tamanha incapacidade de articular pensamentos? A da Folha não sabe pensar mas exprime de forma primária esse seu não-saber", diz um dos trechos do texto "Marginal Pinheiros", no blog http://www.obraemprogresso.com.br/

Não assisti ao show e imagino que se a dupla não homenagear a bossa nova em praça pública, sem cadastramentos prévios e ingressos impagáveis, não assistirei.
Mas imagino, mesmo tendo pés atrás com os críticos da grande (de grana e poder) imprensa, que o espetáculo não tenha sido um espetáculo.

Já acho estranho colocar Roberto Carlos para cantar bossa nova. Mais bizarro é colocar Robertão, que aos 67, é (ou se vê) mais importante do que a própria bossa. Além disso, faz tempo que o rei não inova. Tenho até dúvidas se a Globo não repete o mesmo especial dele há anos.
Também acredito que Caetano tenha se emocionado ao cantar "Caminho de Pedra" e "O que Tinha de Ser". Mas como já disse e prova sua biografia, Veloso foi realmente lapidado pela bossa ( não só ela). Mas estranho é esse contra-ataque ríspido.

E não vejo Caetano defendendo Roberto, vejo em seu texto, a defesa do show em si, o formato, o conceito, como se Roberto/Caetano tivessem acabado de igualar os Doces Bárbaros, no Canecão. Não igualou.

Caetano Veloso e Roberto Carlos foram contratados pelo banco Itaú e homenagearam Tom, João, Carlinhos, Nara e toda a bossa por muito dinheiro. Prestaram serviço e devem até ter passado nota para trabalhar em uma festa para a elite (provinciana) paulistana e a (incrivelmente progressista moderna e descolada) carioca.
O funcionário Caetano soou pelego em sua resposta. Pois nem o próprio Itáu moveu-se para discordar.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O dia começa pela manhã

por Vilauba Herrera


A noite tinha sido daquelas. É o que dá ser um grande apreciador de cerveja e trabalhar como lavador de pratos em um típico pub londrino. Mas aos 19 anos, na Inglaterra há cinco dias e com um vocabulário nativo de sete palavras, ter arranjado um emprego estava ótimo, mais do que ótimo.

Mas ótima não estava sua cabeça na manhã de 30 de janeiro de 1969. Sentia a testa latejando, a boca seca. O pior era o frio. O cobertor, as sete camisetas e três blusas de lã costuradas pela vó não eram suficientes para o inverno inglês, naquele quarto em um sótão sem calefação. Idéia do marroquino, parceiro de cozinha no pub, mas que nunca dormia lá.

O dia já tinha surgido na janela, mas poderia ficar mais duas horas na cama. Colocou o travesseiro na cara e se sentiu confortável. Poucos minutos depois, vozes o tiraram do sono pesado. Resmungou sem abrir os olhos. Logo o número de vozes aumentou. - Uma briga na rua no prédio da frente é muito azar, pensou. Mesmo assim, permaneceu deitado.

O ronco já tinha voltado a dominar o cubículo, quando gargalhadas invadiram o ambiente. Levantou de sopetão, o travesseiro foi parar do outro lado do quarto. Olhou para os lados e quando colocou o pé esquerdo no chão, o barulho cessou. - 1, 2, 3, 4 , 5, 6...no oito já estava deitado novamente, com uma das mãos segurando a cabeleira, um travesseiro adaptado.
Um ruído fino chegou aos seus ouvidos e de quem estivesse a um quilomentro de distância.

Puxou o cobertor até a cara. O barulhou foi substituído por uma balbúrdia de palmas e uma voz meio anasalada. - Vão todos tomar no cu, eu vou acabar com essa porra toda. Pulou da cama e correu com a raiva nos olhos, abriu a janela e quando ia excomungar a Grã Bretanha inteira, viu.

domingo, 10 de agosto de 2008

Isaac

por Vilauba Herrera



Na correria da redação, entre páginas de papel e virtuais, vejo a notícia sobre a morte de Isaac Hayes. Admito não ser um estudioso sobre a vida e a obra de Hayes, mas sei que é mais uma grande perda para a música preta feita na década de 60 e 70. Referência fundamental para a música pop que domina o planeta. (isso não é uma comparação)


Fica aqui sua obra mais famosa, enquanto ele se junta aos companheiros de cena, os lendários Curtis Mayfield e James Brown.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A prole Marley

por Vilauba Herrera






Sempre fui curioso em saber mais sobre a família de Bob Marley. Hoje fiz uma pesquisa para descobrir quantos e quem são os filhos do homem. Para quem também tinha alguma curiosidade, estão ai os felizardos:


Filhos de Nesta Marley

com Rita Marley:
Cedella Marley
Ziggy Marley - www.ziggymarley.com/
Stephen Marley - www.stephenmarleymusic.com/
Stephanie Marley - adotada por Bob
Sharon Prendergras - adotada por Bob

com Cindy Breakspear:
Damian Marley - www.myspace.com/damianmarley

com Cheryl Murray:
Imani Carole

com Pat Williams:
Robbie Marley


com Janet Bowen:
Karen Marley

com Lucy Pounder:
Julian Marley

com Anita Belnavis:
KyMani Marley - http://www.kymani-marley.com/

com Yvette Crichton:
Makeda Marley


Tudo em família

domingo, 3 de agosto de 2008

Maior Viagem, biiicho

Por Lotus Dharma

de pijama, com faringite aguda, em um domingo nublado. "De manhã cedinho, tudo cá cá cá, na fé fé fé".


Passeando pelos blogs da vida, encontrei no fantástico eneaotil esse site suuuper bacanudo, biiicho.

Pôôa, imagina ser filho de Baby e Pepeu, afilhado de Moraes, de Paulinho e Dadi.

Besta é tu se não for olhar.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Sonho bobo

por Vilauba Herrera

Quando bato a última tecla, meu corpo dói
A boca seca e escuto a bronca, calado
Ah, como eu queria ser um super-herói
Daquele que não marca toca, arrojado

Queria transformar batuque em poesia
Não essa coisa assim, meio chinfrim
Esse texto cheio de erros e heresia
Sem rima, sem rumo, com resto e com fim

Ana, Bebel, Bárbara, Isabela e Carolina
Todas elas em uma oração ao tempo
Todas belas em minha solidão ao vento

Gilberto, Chico, Tom, João, Caetano, Nara e Zés
Mas não sou anjo e esqueceram das minhas asas
E me contento e tento andar só com pés

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Para acalmar a alma

por Vilauba Herrera

Enfurecido após um papo agradável com uma atendente de telemarketing da (escrota) Viação Cometa, terminei parte do trabalho. Sem saber como eliminar toda a raiva pelos gerúndios e malandragens e burocracias daquele telefonema, tentei escrever um "Manifesto contra o telemarketing". Fui incapaz.

O sangue nos olhos me deixou cego. Preocupado, lembrei de um remédio dos tempos do onça. Rock and Roll, Baby!!

E logo me veio a cabeça uma das apresentações mais fantásticas que assisti. AC/DC. 12 de outubro de 1996, estádio do Pacaembu, Ballbreaker tour.

Aos 15 anos, eu era puro rock. Apesar de ainda não estar enchendo a cara todos os dias, como fizeram meus ídolos. Eu nem bebia, acho. Outras drogas, então, não sabia nem a cor. lembro que compramos os ingressos com antecedência, eu, José [irmão de vida} e um amigo do passado, Felipe Morelli (onde anda você, rapá?).

Um tio, primo, parente, sei lá, do Morelli, foi junto. Era mais velho, gostava do AC/DC e seria o responsável pelo trio. Recordo-me que achei estranho, mas não falei nada. Porra, eu já frequentava shows há alguns anos, no mesmo Pacaembu, anos antes, já tinha visto Rolling Stones (com minha mãe), Iron Maiden (com amigos), não precisava de babá. Quem é do rock não precisa de babá.

Bom, 12 anos e muito rock and roll depois, admito que não lembro exatamente de tudo. Mas não esqueço da abertura, com a parede sendo quebrada pela Ballbreaker. Inesquecível também foi escutar os sinos de Hells Bells, os solos de Angus Young e a voz esganiçada de Brian Jonhson ( Bon Scott era foda, mas me desculpem os puristas, prefiro Johnson). Os canhões de For Those About to Rock, claro, não poderia esquecer. E também me recordo de quando salvei a vida de José, que quase caiu no chão, durante uma onda de milhares de pessoas. Rock and Roll demais!!!

Depois da sessão AC/DC, a calma retornou ao meu espírito. Eu só queria uma xícara de chá... e jogar aquela atendente, fã de "Jeitos Muleques", "Inimigos da Hp‘s", no meio da multidão, enlouquecida por Thunderstruck.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Não aceitem!!



por Vilauba Herrera

Paul McCartney e Ringo Star foram convidados pelo governo israelense para participar da comemoração do 60º aniversário do país, a ser comemorado em maio deste ano. Além do convite, foi junto um pedido de desculpas pela proibição, em 1965, da visita dos Beatles ao estado judeu. A pedido de perdão foi estendido para os familiares de John Lennon e George Harrison.

Na época, a alegação usada pelos políticos foi que que um show da banda que revolucinou a música mundial, poderia "perverter" a juventude israelense.
Um trecho da carta-desculpa diz: "Infelizmente, o Estado de Israel cancelou a apresentação no país devido à falta de orçamento e porque vários políticos do Knesset (o Parlamento israelense) acreditavam, na época, que sua apresentação poderia corromper as mentes da juventude israelense."
Sim, os Beatles ajudaram a subverter a mente de milhões de jovens ao redor do mundo. A carta tem toda razão.
"A Hard Days Night", "Revolver", Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e "Abbey Road", foram alguns dos discos que fizeram a cabeça da juventude. Essa juventude que lutou para tentar acabar com a filosofia bélica dos países dominantes, com as ordens obsoletas da igreja e do mercado.
O movimento foi derrotado, como é sabido. No entanto, centelhas de resistência ainda queimam mundo à fora. Sorte a nossa.
Com certeza essas centelhas existem também em Israel. No entanto, durante os 43 anos que separam a censura e o pedido de desculpas, o governo israelense demonstrou a ausência de influência da geração Rock/hippie/soul/black/freedom, na qual os garotos de Liverpool possuem grande importância.

Assassinato de milhares de Palestinos, invasão e roubo das terras dos palestinos, a recusa de um debate sobre a criação de um estado palestino e até a criação de um muro que separa os israelenses dos palestinos, bem ao estilo dos muros construídos nos guetos da Alemanha nazista.

Não, o estado de Israel não merece a presença e muito menos um show dos últimos integrantes dos Beatles. É uma questão de bom senso, de justiça e de solidariedade com um povo que é, há dezenas de anos, massacrado por este país financiado pelo dinheiro, pelas armas e pela crença daqueles que impediram a tentativa de um novo jeito de ver o sol nascer.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Gun Street Girl

por Vilauba Herrera

Derrubou a agulha, que gemeu alto, antes de começar a cantar. - Nunca coloquei esse disco, sussurrou para si mesmo, enquanto ela procurava mais um cigarro na bolsa surrada, em cima do sofá. "Falling James in the Tahoe mud / Stick around to tell us all the tale...", a voz rouca começava a dominar o quarto pequeno e escuro.

O vestido era preto com detalhes verdes e vermelhos. Era isso que via, além do sorriso que lhe preenchia a alma. - Não acredito que você tem três discos iguais e nunca escutou, questionou com a voz fraca, soltando fumaça.

Cadenciada, a batida afastou o tédio daquele instante. Levantou rapidamente, e com o braço, esbarrou na revista velha, que caiu, aberta, no chão de tacos empoeirados. - Porra, sou um desastre, mesmo.

- Relaxa, já era. Essa música é estranha. - Mudou de assunto, sorriso de canto, boca fechada.
"He got all liquored up on that road house corn / Blew a hole in the hood of a yellow Corvette..."
Achou a lâmina, embaixo da vitrola. Estava lá há meses. Prometeu nunca mais usá-la. Arranhou a mesa, fez desenhos, fingindo saber cantar a melodia inédita.

"I said John, John, he's long gone / Gone to Indiana, ain't never coming home..."
- Não tenho me lembrado muito das coisas que fizemos juntos. Por que as pessoas guardam tantos restos? Gostamos das feridas, você não acha?
Escutou, mas com os olhos no vinil. Um pedaço de cigarro entre os dedos, cinzas em sua coxa nua.

- Vamos dormir?
- Amanhã preciso acordar daqui a pouco. - E riu.
Abraçaram-se, ele beijou o alto de sua cabeça, com cheiro de shampoo. Ela afagou suas costas. Suspiraram.
- Boa noite, disseram juntos.

Esperou ele deitar na cama sem lençol. Ainda esticou o olhar para ver a porta fechando. O dia começava. Enfiou as mãos pequenas nos bolsos curtos e caminhou, com a cabeça baixa.
"Banging on the table with an old tin cup / Sing I'll never kiss a Gun Street girl again..."