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quarta-feira, 8 de julho de 2009

O jornalismo ainda "pode acontecer"?




"Pode acontecer". Com essa frase via sms o jornal Lance estampou em sua capa a situação entre Muricy Ramalho e o Palmeiras. Nada mais íntimo, nada mais pobre.

O episódio resume bem o que vem acontecendo com o jornalismo através dos tempos. A falsa e mesmo assim perigosa intimidade entre os jornalistas e a notícia. Acho que não é preciso explicar o porque do perigo (para a imprensa), ou ninguém acha estranho o repórter em Brasília sair para tomar whiskie com um senador, um deputado...

A falsidade está do lado da notícia. Se esconder da mídia é um direito do ex-técnico do São Paulo e de qualquer um. Mas esmolar um "pode acontecer" é total desrespeito com aqueles que fazem o jornalismo, que tem o compromisso com seus leitores e com a ética e a importância da imprensa. É olhar para a mídia de cima, achando-se superior. A responsabilidade não é só da fonte ou da própria notícia, mas também da imprensa, mais precisamente dos Barões da comunicação, que renovaram (e desequilibraram) as redações, trocando dois de 40 por um de 20 e poucos. Piora ainda quando a sub-chefia (editores, pauteiros...) também são jovens, com pouca experiência para perceber, ou, na maioria das vezes, brigar pelos seus colegas e por melhores condições para a produção jornalística. São meros cumpridores de pautas, sem incentivo para buscar novas informações e olhar nos olhos da notícia, sem abaixar a cabeça.

Enquanto isso, vamos nos contentando com entrevistas via Twitter, sms, msn....cada vez mais intímos e ao mesmo tempo distantes da verdade jornalística.
desenho tirado do blog coffeeencigarettes

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Caderno do Saramago

por Vilauba Herrera

Não é novidade, mas só consegui ler ontem, o surpreendente caderno do Saramago. O blog do escritor português me fez acreditar ainda mais nas possibilidades da língua, da palavra. Porque, apesar do peso do nome e da escrita de Saramago, em seu blog estão textos simples, cotidianos, próximos. Quando li Prova de Algodão e Aznar, o Oráculo, me senti colega de José. Ver o quanto ele despreza Bush e suas companhias é instigante, encorajador e seguro, pois sem imposições, o velhinho nos mostra em que pedras podemos pisar.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Para acalmar a alma

por Vilauba Herrera

Enfurecido após um papo agradável com uma atendente de telemarketing da (escrota) Viação Cometa, terminei parte do trabalho. Sem saber como eliminar toda a raiva pelos gerúndios e malandragens e burocracias daquele telefonema, tentei escrever um "Manifesto contra o telemarketing". Fui incapaz.

O sangue nos olhos me deixou cego. Preocupado, lembrei de um remédio dos tempos do onça. Rock and Roll, Baby!!

E logo me veio a cabeça uma das apresentações mais fantásticas que assisti. AC/DC. 12 de outubro de 1996, estádio do Pacaembu, Ballbreaker tour.

Aos 15 anos, eu era puro rock. Apesar de ainda não estar enchendo a cara todos os dias, como fizeram meus ídolos. Eu nem bebia, acho. Outras drogas, então, não sabia nem a cor. lembro que compramos os ingressos com antecedência, eu, José [irmão de vida} e um amigo do passado, Felipe Morelli (onde anda você, rapá?).

Um tio, primo, parente, sei lá, do Morelli, foi junto. Era mais velho, gostava do AC/DC e seria o responsável pelo trio. Recordo-me que achei estranho, mas não falei nada. Porra, eu já frequentava shows há alguns anos, no mesmo Pacaembu, anos antes, já tinha visto Rolling Stones (com minha mãe), Iron Maiden (com amigos), não precisava de babá. Quem é do rock não precisa de babá.

Bom, 12 anos e muito rock and roll depois, admito que não lembro exatamente de tudo. Mas não esqueço da abertura, com a parede sendo quebrada pela Ballbreaker. Inesquecível também foi escutar os sinos de Hells Bells, os solos de Angus Young e a voz esganiçada de Brian Jonhson ( Bon Scott era foda, mas me desculpem os puristas, prefiro Johnson). Os canhões de For Those About to Rock, claro, não poderia esquecer. E também me recordo de quando salvei a vida de José, que quase caiu no chão, durante uma onda de milhares de pessoas. Rock and Roll demais!!!

Depois da sessão AC/DC, a calma retornou ao meu espírito. Eu só queria uma xícara de chá... e jogar aquela atendente, fã de "Jeitos Muleques", "Inimigos da Hp‘s", no meio da multidão, enlouquecida por Thunderstruck.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O tempo e o carro

por Vilauba Herrera

Entrei no carro com sono e sem vontade para papo. Já estava assim desde o baseado que tinha fumado no final do expediente, a cerveja com dois pedaços de pizza e a falta de paciência para interagir com os caretas.

Eram em quatro, contando com o motorista, que logo ao sair da garagem, acelerou, trocou rapidamente as marchas e disparou pela rua vazia e molhada e amarela. No banco do co-piloto, sem movimentar o pescoço, olhei para o motorista, que fungava e passava a mão no nariz, como se quisesse arrancá-lo. Tranquilizei-me. - O cara cheirou, então não me venham com encheção, falar que eu estou alterado.

Tentei puxar uma conversa, fiz uns comentários, mas não houve muita resposta. No banco de trás, um estava tão chapado quanto eu. O outro, puto. deveria estar com pressa e eu pedi para jantar no bar. - Porra, dois contra um, democracia. Espera um pouco.

Pensava ali, enquanto o carro mil cilindradas atravessava o centro da cidade em alta velocidade, o pessoal no banco de trás deve ter percebido que o motorista está doidão, um dos motivos de estar tirando tudo o que pode do automóvel. - Será que eles perceberam?

Uma freada e o carro parou, uns 3cm de outro automóvel. Sem perceber, a dúvida pela percepção alheia foi substituída por outra. - Será que esse cara vai bater essa merda desse carro?
Nem pensei em colocar a mão no puta que pariu. Sob o efeito do ragga, o medo fica somente na mente.

O parceiro do beque, da breja e da pizza foi o primeiro a deixar o foguete. Outra tentativa de diálogo, ou triálogo. Diplomacia com o cara bravo. Sem sucesso. Só umas quatro frases com o motora, que entrou em uma rua fechada pelo CET, com um amarelinho olhando. - Deveriam ter fechado a rua, como vou saber? - questionou o estriquinado.

Pronto, o mala, quer dizer, o outro cara foi deixado em seu destino. Pronto, só faltava um, deve ter pensado o condutor, que acelerou um pouco mais.
O silêncio dentro do automóvel, que deslizava (mesmo!!) pelo asfalto molhado, fez minha tese sobre o ragga ir por água abaixo. Me segurei no banco e sentia minha cara fazer caretas por baixo da roupa de pele e barba.
Por meio de telepatia, tentava me comunicar com a alma do motorista. - Vai mais devagar, cara. Não precisa ter pressa, estou na boa.

Não sabia mais o que fazer, estava tão agitado quanto o farofeiro do motora. E o carro parou, de supetão. Estava em frente a minha casa. Agradeci e desci do carro em 2seg. Abri o portão e corri para dentro. Excomunguei o inventor do automóvel ( Ford FDP!!!), os pilotos de F1 (não esqueci de você, Nelsinho) e todos estes playboys que preferem pegar no câmbio do que numa bunda.
- Da próxima vez, não fumo. Tomo um lexotan. E salve a bicicleta e os motoristas caretas!!!!!!!!