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sexta-feira, 22 de maio de 2009
S.emana
Puta vontade de gritar/ Porque não investi no basquete?/Será que consigo outro trampo? /Essa grana vai ser foda de descolar/ Essa música me lembra a/ Vou ficar careca com uns 35/Minha mãe deixou uma mensagem/Me disseram que Praga é do caralho/ Queria comer um contra no Limeiroso, mas não dá/Quero trepar agora/ Esse exercício ferra meu ombro/ Ela vai dormir aqui, será?/ Preciso arrumar a casa/ A vacina do cachorro/ E a natação?/ Vou aguentar mau humor hoje?/ Que puta mau humor, não to me aguentando/ Porque esse filho da puta não vai tomar no/ Me disseram que seria barato/ Um cineminha, heim?/ Acabou a cerveja/ Livro bom/ O que vou colocar no abre?/Tá acabando o fumo/Escapei de uma/Ela vai me ligar?/Perdi o sono/ Meu pai viajou?/Puta vontade de berrar...
sábado, 6 de setembro de 2008
Bandeira Branca
por Vilauba Herrera
Recuperei o violão dos tempos de aulas com Luís, o "Branca". Daquela época, sobrou bandeira branca, que toco em novo arranjo. Na última vez que me apresentei para um público maior do que duas pessoas, causei comoção: os amigos completamente bêbados caíram na risada, já nos primeiros acordes. E caíram no chão mesmo, quando comecei a cantar e uma gordinha, amiga de não sei quem, que estava na casa do Nelson, na aprazível Itanhanhem (?), achou que eu a estivesse homenageando com "baleia branca". A guria saiu irada da sala, para delírio da multidão. E eu só fui perceber no camarim, após o espetáculo. Não me recordo a data deste show. mas agora, com o Di Giorgio nº 15 ali, encostado na sala, imagino voltar a tocar. talvez chamar um pessoal, fazer uma banda. Alguma coisa assim.
Recuperei o violão dos tempos de aulas com Luís, o "Branca". Daquela época, sobrou bandeira branca, que toco em novo arranjo. Na última vez que me apresentei para um público maior do que duas pessoas, causei comoção: os amigos completamente bêbados caíram na risada, já nos primeiros acordes. E caíram no chão mesmo, quando comecei a cantar e uma gordinha, amiga de não sei quem, que estava na casa do Nelson, na aprazível Itanhanhem (?), achou que eu a estivesse homenageando com "baleia branca". A guria saiu irada da sala, para delírio da multidão. E eu só fui perceber no camarim, após o espetáculo. Não me recordo a data deste show. mas agora, com o Di Giorgio nº 15 ali, encostado na sala, imagino voltar a tocar. talvez chamar um pessoal, fazer uma banda. Alguma coisa assim.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
O dia começa pela manhã
por Vilauba Herrera
A noite tinha sido daquelas. É o que dá ser um grande apreciador de cerveja e trabalhar como lavador de pratos em um típico pub londrino. Mas aos 19 anos, na Inglaterra há cinco dias e com um vocabulário nativo de sete palavras, ter arranjado um emprego estava ótimo, mais do que ótimo.
Mas ótima não estava sua cabeça na manhã de 30 de janeiro de 1969. Sentia a testa latejando, a boca seca. O pior era o frio. O cobertor, as sete camisetas e três blusas de lã costuradas pela vó não eram suficientes para o inverno inglês, naquele quarto em um sótão sem calefação. Idéia do marroquino, parceiro de cozinha no pub, mas que nunca dormia lá.
O dia já tinha surgido na janela, mas poderia ficar mais duas horas na cama. Colocou o travesseiro na cara e se sentiu confortável. Poucos minutos depois, vozes o tiraram do sono pesado. Resmungou sem abrir os olhos. Logo o número de vozes aumentou. - Uma briga na rua no prédio da frente é muito azar, pensou. Mesmo assim, permaneceu deitado.
O ronco já tinha voltado a dominar o cubículo, quando gargalhadas invadiram o ambiente. Levantou de sopetão, o travesseiro foi parar do outro lado do quarto. Olhou para os lados e quando colocou o pé esquerdo no chão, o barulho cessou. - 1, 2, 3, 4 , 5, 6...no oito já estava deitado novamente, com uma das mãos segurando a cabeleira, um travesseiro adaptado.
Um ruído fino chegou aos seus ouvidos e de quem estivesse a um quilomentro de distância.
Puxou o cobertor até a cara. O barulhou foi substituído por uma balbúrdia de palmas e uma voz meio anasalada. - Vão todos tomar no cu, eu vou acabar com essa porra toda. Pulou da cama e correu com a raiva nos olhos, abriu a janela e quando ia excomungar a Grã Bretanha inteira, viu.
A noite tinha sido daquelas. É o que dá ser um grande apreciador de cerveja e trabalhar como lavador de pratos em um típico pub londrino. Mas aos 19 anos, na Inglaterra há cinco dias e com um vocabulário nativo de sete palavras, ter arranjado um emprego estava ótimo, mais do que ótimo.
Mas ótima não estava sua cabeça na manhã de 30 de janeiro de 1969. Sentia a testa latejando, a boca seca. O pior era o frio. O cobertor, as sete camisetas e três blusas de lã costuradas pela vó não eram suficientes para o inverno inglês, naquele quarto em um sótão sem calefação. Idéia do marroquino, parceiro de cozinha no pub, mas que nunca dormia lá.
O dia já tinha surgido na janela, mas poderia ficar mais duas horas na cama. Colocou o travesseiro na cara e se sentiu confortável. Poucos minutos depois, vozes o tiraram do sono pesado. Resmungou sem abrir os olhos. Logo o número de vozes aumentou. - Uma briga na rua no prédio da frente é muito azar, pensou. Mesmo assim, permaneceu deitado.
O ronco já tinha voltado a dominar o cubículo, quando gargalhadas invadiram o ambiente. Levantou de sopetão, o travesseiro foi parar do outro lado do quarto. Olhou para os lados e quando colocou o pé esquerdo no chão, o barulho cessou. - 1, 2, 3, 4 , 5, 6...no oito já estava deitado novamente, com uma das mãos segurando a cabeleira, um travesseiro adaptado.
Um ruído fino chegou aos seus ouvidos e de quem estivesse a um quilomentro de distância.
Puxou o cobertor até a cara. O barulhou foi substituído por uma balbúrdia de palmas e uma voz meio anasalada. - Vão todos tomar no cu, eu vou acabar com essa porra toda. Pulou da cama e correu com a raiva nos olhos, abriu a janela e quando ia excomungar a Grã Bretanha inteira, viu.
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domingo, 3 de agosto de 2008
quarta-feira, 23 de julho de 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Mercearia
por Vilauba HerreraA porta abre rapidamente, mas fecha devagar.
- Bom dia.
- Bom dia, posso ajudar.
- Sim, vim para as compras do mês. Estou faminta.
- Estou a suas ordens.
- Eu queria meio quilo de coerência, dois de confiança e quatro quilos de carinho.
- Sei...
- Não sou muito disso, mas estou numa fase meio assim...
- ...pronto, está aqui, só isso?
- Não, imagina. Preciso de duas travessas de perspectivas, um pedaço de futuro e duas fatias de bom senso.
- Olha, eu só tenho uma fatia de bom senso, mas tem bom humor, quer?
- Serve, me dá três fatias. Com isso, acho que dá pra fazer alguma coisa.
- Você tem equilíbrio?
- Só um maço. tem saído muito nos últimos dias.
- Mas tá bonito?
- Tá sim.
- Então eu quero.
- Deixa eu ver....tem malícia e medo? Mas daqueles menos concentrados, em frascos menores. Sou um pouco alérgica, mas é bom ter em casa, né?
- Claro. Esse tá bom?
- Obrigada. Acho que é isso.
- Tudo dá....
- Calma... você tem alguns pacotes de Paixão e um litro de paciência, se chegar sem isso, será um horror.
- Putz.... eu tinha, mas acabou.... eu tenho amor sobrando.
- Bom dia, posso ajudar.
- Sim, vim para as compras do mês. Estou faminta.
- Estou a suas ordens.
- Eu queria meio quilo de coerência, dois de confiança e quatro quilos de carinho.
- Sei...
- Não sou muito disso, mas estou numa fase meio assim...
- ...pronto, está aqui, só isso?
- Não, imagina. Preciso de duas travessas de perspectivas, um pedaço de futuro e duas fatias de bom senso.
- Olha, eu só tenho uma fatia de bom senso, mas tem bom humor, quer?
- Serve, me dá três fatias. Com isso, acho que dá pra fazer alguma coisa.
- Você tem equilíbrio?
- Só um maço. tem saído muito nos últimos dias.
- Mas tá bonito?
- Tá sim.
- Então eu quero.
- Deixa eu ver....tem malícia e medo? Mas daqueles menos concentrados, em frascos menores. Sou um pouco alérgica, mas é bom ter em casa, né?
- Claro. Esse tá bom?
- Obrigada. Acho que é isso.
- Tudo dá....
- Calma... você tem alguns pacotes de Paixão e um litro de paciência, se chegar sem isso, será um horror.
- Putz.... eu tinha, mas acabou.... eu tenho amor sobrando.
- Não quero, a última vez que comprei, mofou.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
O tempo e o carro
por Vilauba Herrera
Entrei no carro com sono e sem vontade para papo. Já estava assim desde o baseado que tinha fumado no final do expediente, a cerveja com dois pedaços de pizza e a falta de paciência para interagir com os caretas.
Eram em quatro, contando com o motorista, que logo ao sair da garagem, acelerou, trocou rapidamente as marchas e disparou pela rua vazia e molhada e amarela. No banco do co-piloto, sem movimentar o pescoço, olhei para o motorista, que fungava e passava a mão no nariz, como se quisesse arrancá-lo. Tranquilizei-me. - O cara cheirou, então não me venham com encheção, falar que eu estou alterado.
Tentei puxar uma conversa, fiz uns comentários, mas não houve muita resposta. No banco de trás, um estava tão chapado quanto eu. O outro, puto. deveria estar com pressa e eu pedi para jantar no bar. - Porra, dois contra um, democracia. Espera um pouco.
Pensava ali, enquanto o carro mil cilindradas atravessava o centro da cidade em alta velocidade, o pessoal no banco de trás deve ter percebido que o motorista está doidão, um dos motivos de estar tirando tudo o que pode do automóvel. - Será que eles perceberam?
Uma freada e o carro parou, uns 3cm de outro automóvel. Sem perceber, a dúvida pela percepção alheia foi substituída por outra. - Será que esse cara vai bater essa merda desse carro?
Nem pensei em colocar a mão no puta que pariu. Sob o efeito do ragga, o medo fica somente na mente.
O parceiro do beque, da breja e da pizza foi o primeiro a deixar o foguete. Outra tentativa de diálogo, ou triálogo. Diplomacia com o cara bravo. Sem sucesso. Só umas quatro frases com o motora, que entrou em uma rua fechada pelo CET, com um amarelinho olhando. - Deveriam ter fechado a rua, como vou saber? - questionou o estriquinado.
Pronto, o mala, quer dizer, o outro cara foi deixado em seu destino. Pronto, só faltava um, deve ter pensado o condutor, que acelerou um pouco mais.
O silêncio dentro do automóvel, que deslizava (mesmo!!) pelo asfalto molhado, fez minha tese sobre o ragga ir por água abaixo. Me segurei no banco e sentia minha cara fazer caretas por baixo da roupa de pele e barba.
Por meio de telepatia, tentava me comunicar com a alma do motorista. - Vai mais devagar, cara. Não precisa ter pressa, estou na boa.
Não sabia mais o que fazer, estava tão agitado quanto o farofeiro do motora. E o carro parou, de supetão. Estava em frente a minha casa. Agradeci e desci do carro em 2seg. Abri o portão e corri para dentro. Excomunguei o inventor do automóvel ( Ford FDP!!!), os pilotos de F1 (não esqueci de você, Nelsinho) e todos estes playboys que preferem pegar no câmbio do que numa bunda.
- Da próxima vez, não fumo. Tomo um lexotan. E salve a bicicleta e os motoristas caretas!!!!!!!!
Entrei no carro com sono e sem vontade para papo. Já estava assim desde o baseado que tinha fumado no final do expediente, a cerveja com dois pedaços de pizza e a falta de paciência para interagir com os caretas.
Eram em quatro, contando com o motorista, que logo ao sair da garagem, acelerou, trocou rapidamente as marchas e disparou pela rua vazia e molhada e amarela. No banco do co-piloto, sem movimentar o pescoço, olhei para o motorista, que fungava e passava a mão no nariz, como se quisesse arrancá-lo. Tranquilizei-me. - O cara cheirou, então não me venham com encheção, falar que eu estou alterado.
Tentei puxar uma conversa, fiz uns comentários, mas não houve muita resposta. No banco de trás, um estava tão chapado quanto eu. O outro, puto. deveria estar com pressa e eu pedi para jantar no bar. - Porra, dois contra um, democracia. Espera um pouco.
Pensava ali, enquanto o carro mil cilindradas atravessava o centro da cidade em alta velocidade, o pessoal no banco de trás deve ter percebido que o motorista está doidão, um dos motivos de estar tirando tudo o que pode do automóvel. - Será que eles perceberam?
Uma freada e o carro parou, uns 3cm de outro automóvel. Sem perceber, a dúvida pela percepção alheia foi substituída por outra. - Será que esse cara vai bater essa merda desse carro?
Nem pensei em colocar a mão no puta que pariu. Sob o efeito do ragga, o medo fica somente na mente.
O parceiro do beque, da breja e da pizza foi o primeiro a deixar o foguete. Outra tentativa de diálogo, ou triálogo. Diplomacia com o cara bravo. Sem sucesso. Só umas quatro frases com o motora, que entrou em uma rua fechada pelo CET, com um amarelinho olhando. - Deveriam ter fechado a rua, como vou saber? - questionou o estriquinado.
Pronto, o mala, quer dizer, o outro cara foi deixado em seu destino. Pronto, só faltava um, deve ter pensado o condutor, que acelerou um pouco mais.
O silêncio dentro do automóvel, que deslizava (mesmo!!) pelo asfalto molhado, fez minha tese sobre o ragga ir por água abaixo. Me segurei no banco e sentia minha cara fazer caretas por baixo da roupa de pele e barba.
Por meio de telepatia, tentava me comunicar com a alma do motorista. - Vai mais devagar, cara. Não precisa ter pressa, estou na boa.
Não sabia mais o que fazer, estava tão agitado quanto o farofeiro do motora. E o carro parou, de supetão. Estava em frente a minha casa. Agradeci e desci do carro em 2seg. Abri o portão e corri para dentro. Excomunguei o inventor do automóvel ( Ford FDP!!!), os pilotos de F1 (não esqueci de você, Nelsinho) e todos estes playboys que preferem pegar no câmbio do que numa bunda.
- Da próxima vez, não fumo. Tomo um lexotan. E salve a bicicleta e os motoristas caretas!!!!!!!!
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