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sexta-feira, 22 de maio de 2009

S.emana

Puta vontade de gritar/ Porque não investi no basquete?/Será que consigo outro trampo? /Essa grana vai ser foda de descolar/ Essa música me lembra a/ Vou ficar careca com uns 35/Minha mãe deixou uma mensagem/Me disseram que Praga é do caralho/ Queria comer um contra no Limeiroso, mas não dá/Quero trepar agora/ Esse exercício ferra meu ombro/ Ela vai dormir aqui, será?/ Preciso arrumar a casa/ A vacina do cachorro/ E a natação?/ Vou aguentar mau humor hoje?/ Que puta mau humor, não to me aguentando/ Porque esse filho da puta não vai tomar no/ Me disseram que seria barato/ Um cineminha, heim?/ Acabou a cerveja/ Livro bom/ O que vou colocar no abre?/Tá acabando o fumo/Escapei de uma/Ela vai me ligar?/Perdi o sono/ Meu pai viajou?/Puta vontade de berrar...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A gente vai levando...

por Vilauba Herrera

Nada melhor do que encontrar e conviver, mesmo que por algumas horas, alguns minutos, com pessoas interessantes e generosas. Nessas horas, quando a situação está quase lastimável, para ser otimista, nada como um batepapo no quintal de luz baixa em um sobrado em uma rua qualquer, ou na sacada, dessa vez sem luz, acompanhado por um disco alternativo fazendo o BG, ou até mesmo um almoço confortável e saboroso, regado a comida francesa, saudades matadas e doses de jornalismo político.

Mas se tudo isso ainda não tirou sua testa e sua auto-estima do chão, pode-se escutar um "Bom dia, tudo bom? Ótimo, que as coisas continuem boas para todos nós. Até mais", de uma desconhecida risonha, com seu cachorro curioso.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Alphavida

por Vilauba Herrera

Zuleida pegou a chave na mesa de vidro marroquino. A porta já estava aberta. Ela nunca trancava e sempre que possível, espirrava isso nas convesas com suas amigas/inimigas, nas sessões quinzenais de compras do mês.
Entrou no carro. Uma pick-up, modelo super extra power flex, mas que Zuleida só alimenta com gasolina aditivada, salpicada de óleo de primeira qualidade. Brasileiro adora carro, não é?

Zuleida também é assim. Mas o que ela não gosta é da rua, da rua, das pessoas que estão ao redor dela, os prédios. "São todos sujos, essas tintas gastas, o cheiro...um horror", sempre diz.

Colocou a chave na ignição, deu a partida e, passando batom com o auxílio do retrovisor, deu marcha ré. para a curva, na pista cor de chumbo, decorada de faixas amarelas, usou os dois lados da rua. Sorte que não tinha ninguém por ali. Nunca tinha.

Abaixou para pegar um cigarro no porta-luvas e viu uma lata de refrigerante jogada no chão. Pegou-a e colocou em seu colo. Acendeu o cigarro e deu uma longa tragada, a cinza ficou pendurada, prestes a cair no banco de couro de jacaré. Empinou o cigarro, equilibrando-o. Ao passar pela portaria, escutou o Boa tarde do funcionário, que sabia que não iria ter resposta.

Parou no cruzamento, em cima da faixa de pedestres. Achava mais seguro, em caso de ser abordada por um pedinte, uma criança, um bandidão. Abriu a janela e derrubou a cinza, o cigarro pela metade e a lata de refrigerante. Arrancou, arrojada, cantando pneu.

Estava atrasada para o cabelereiro. Sabia que se chegasse 40min fora de seu horário, teria que dar um levado a mais para não ter que esperar a cliente que chegou no horário. Odiava essa situação. Nervosa, acendeu mais um cigarro e outro e outro. Todos dispensados nas faixas de pedestres. "Essa mania que tenho, coisa de louca"

Colocou o celular entre o ombro e a orelha, tentava falar com uma amiga que estava em Bruxelas. A intenção era pedir para que ela trouxesse os novos catálogos do pret a porter.

Deixou o carro no meio da rua. "Não sei fazer baliza". O manobrista teve que correr para dentro do salão e pegar a chave, nas mãos de Zuleida. Até entrar no possante, escutou diversos tipos de palavrões, dos racistas aos infantis.

De cabelo e unhas novas, correu para o carro. Mas ele não estava. Esculachou o manobrista, pegou o automóvel e partiu, levando alguns cones.

Irritada com a falta de bons serviços na cidade, acelerou. Entrou sem diminuir, ainda arrancou uma lasca da guarita do condomínio. Jogou o carro na garagem, saiu esbaforida e entrou na casa com porta destrancada. Estava em choque, precisava de uma água mineral com gás.

Estava salva.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

divagarinho e divagação

por Vilauba Herrera


Sentado no sofá, Pego uma idéia na mão
Aos poucos vou dichavando, até ficar bom
Esfrego o farelo da palma e derrubo tudo com calma
Passo a cola para não fugir, a hora de espreguiçar a alma


unzinho, fumo, banza, jadja, jererê, finório, do diabo, baurete, veneno do rato do gabiru, paranga, baseado, bagana, verdinho, dubom, manga-rosa, fininho, de cadeia, perna de grilo, dedo de gorila...


Cada um com seu codinome, cada qual ao seu estilo
escolha uma linha, ou desenrole algum caminho.
Sabedoria não é guerra, não bata sempre de frente
a trilha será longa, então plante sua semente

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Futebol e Política

por Lucas Marchesini

Uma pesquisa interessante a ser feita pelo IBOPE, Datafolha ou IBGE seria a seguinte: Quanto por cento da população brasileira sabe que Renan foi absolvido hoje em um segundo processo de cassação? E quantos brasileiros sabem sobre o mensalão tucano? Finalmente, quantos dos entrevistados ouviram sobre o rebaixamento do Corinthians?

Praticamente todos saberiam que o segundo clube mais popular do Brasil foi para a segunda divisão nacional. Claro, a Globo fez uma grande reportagem e falou disso até no fantástico. A segunda absolvição do ex-presidente do senado não teve e não terá essa cobertura. Muito menos o mensalão tucano que já até fez ministro renunciar (Walfrido Mares Guias, relações Institucionais).

Os veículos de comunicação diriam que elas são vitimas do capitalismo. Procuram o lucro e o lucro vem com o ibope para televisões,em tiragem para jornais, etc... logo eles devem falar sobre o que o publico quer ouvir. E o Brasil é o país do futebol, logo a equação é simples. O público diria simplesmente que não sabia por que os meios de comunicação não abordaram o tema, logo eles não tinham acesso à informação.

Nesse círculo vicioso o povo continua adormecido, a maioria dos veículos de comunicação alienantes, o Corinthians na segunda divisão, os políticos corruptos impunes e o Brasil na merda.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Baseado em fatos reais

por Vilauba Herrera

Academia, 11h da manhã, terça-feira. Lamentava por não ter trazido o tocador de música, companheiro das caminhadas por São Paulo. Música de academia é de doer. Carregava uma anilha (aqueles pesos em formato redondo), quando passei a lamentar o fato de a dance music que estalava nas caixas de som, não estalar mais, naquele momento.

O papo começou assim:

- Cara, abriram uma nova Bio ritmo, ali na (rua) Cerro Corá. Ela está linda, meu!!!!, disse um que carregava alguns pesos nos braços.
- Po, a Bio ritmo é demais, mesmo. mas nenhuma supera a Runner!!!
- É mesmo, a Runner é foda. O Souza do São Paulo (FC), vai lá só para jogar Futevôlei. O negócio é um clube.

Essa foi a introdução. Continua.

- Eu fiz a prova para entrar lá na Runner. Putz, foi difícil. Tirei 10 na prova prática. Precisava de 7 na teórica. Mas tirei 6. cara, a prova é tão difícil, que tinha até duas perguntas de conhecimentos gerais.
- É mesmo? Quais eram? Perguntou o terceiro integrante da cena.
- Uma perguntava quais eram os estados do centro-oeste. É Goiânia, Mato Grosso e Tocantins, né?
- É, acho que é sim. E qual era a outra?
- Era sobre o Renan Celheiros, sei lá o nome do cara. Perguntava de qual cargo ele tinha sido afastado. Você sabe?
- Da presidência da Câmara, né.
- Então, complicado, tem que estar ligado nas coisas, ler jornal. Eu, às vezes, vejo na TV alguma coisa.
- Ah, eu tenho que saber dessas coisas, por que sou advogado, né? Minha profissão.

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