por Vilauba Herrera
Nada melhor do que encontrar e conviver, mesmo que por algumas horas, alguns minutos, com pessoas interessantes e generosas. Nessas horas, quando a situação está quase lastimável, para ser otimista, nada como um batepapo no quintal de luz baixa em um sobrado em uma rua qualquer, ou na sacada, dessa vez sem luz, acompanhado por um disco alternativo fazendo o BG, ou até mesmo um almoço confortável e saboroso, regado a comida francesa, saudades matadas e doses de jornalismo político.
Mas se tudo isso ainda não tirou sua testa e sua auto-estima do chão, pode-se escutar um "Bom dia, tudo bom? Ótimo, que as coisas continuem boas para todos nós. Até mais", de uma desconhecida risonha, com seu cachorro curioso.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Vitória
por Vilauba Herrera


Fazia tempo, 22 temporadas. Durante anos, torci para times que sequer ganhavam 20 partidas por temporada, equipes lideradas por meu jogador predileto, o armador Dee Brown, time que ainda tinha Parish, contemporâneo dos tempos áureos de Larry Bird e cia e ultrapassou os 40, dentro das quadras. Ainda assisti o veterano Dominique Wilkins, em final de carreira, comandar o time eliminado pelo Orlando Magic de Shaq, nos playoffs de 1995. Após tanto sofrimento, a fila acabou.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Transmissão
por Vilauba Herrera
Na escada, enfiou a mão no bolso e atendeu o telefone. Suspirou, tranquilo.
- Alô... estou indo para ai.
foto: Apu Gomes
Retirou as chaves do bolso de forma estapafúrdia, quase derrubou o buquê de rosas multicoloridas. Subia a escada em tempo recorde, para o seu tamanho e resistência física. Mas não arfava, tinha o olhar compenetrado nos degraus, cada lance. Imaginava o que ia falar, tinha dúvidas sobre como introduzir aquele assunto, tinha medo de gaguejar, pigarrear, babar. Ela sempre foi tão sensível.
As mãos estavam tremendo, no rosto, as primeiras gotas de suor escorriam pela testa grande. Faltavam dois lances de dez degraus. Parou por alguns segundos, passou a mão esquerda nos cabelos curtos e fez caretas para aliviar a tensão dos músculos da cara.
Chegou à porta, sutilmente, forço a maçaneta para ver se estava destrancada. Não estava. Rapidamente, colocou a chave e abriu vagarosamente. Otis Redding o recebeu: "There were time and you want to be free..."
Ele adorava I've Been Loving You Too Long, que rodava na vitrola no canto da sala. Seria a trilha. Colocou a bolsa em cima do sofá verde gasto. Logo depois, o buquê, camuflado entre duas almofadas coloridas.
Ela estava no quarto, a luz do abajour acesa. Olhou para o teto, não respirou fundo, não suspirou, apenas caminhou lentamente. Se estivesse dormindo faria o que? Não tinha pensado nessa situação.
- É você? Ela perguntou, em baixo volume. Nunca falava alto.
Não respondeu, já estava com um pé dentro do quarto. Lá estava ela, deitada, coberta somente por um lençol branco e extremamente fino. O livro em seu colo. Cabelos presos, a camisola que tinha lhe dado há alguns meses, em um dia qualquer, uma comemoração inventada.
Não respondeu, já estava com um pé dentro do quarto. Lá estava ela, deitada, coberta somente por um lençol branco e extremamente fino. O livro em seu colo. Cabelos presos, a camisola que tinha lhe dado há alguns meses, em um dia qualquer, uma comemoração inventada.
Não deu tempo de abaixar a cabeça, levantá-la e dar um sorriso fraco.
- Não quero mais. Não consigo pensar mais em você aqui do meu lado.
Ela, sempre tão sensível, tão cheia de cuidados, o pegou de surpresa. Não esperava o golpe e por isso, sorriu. Não teve controle, foi instântaneo.
Ela, sempre tão sensível, tão cheia de cuidados, o pegou de surpresa. Não esperava o golpe e por isso, sorriu. Não teve controle, foi instântaneo.
As mãos não saíram do bolso. Virou-se e saiu do quarto, ligeiro. Pegou sua bolsa, o buquê. Girou para observar a sala, iluminada pela lua e pela rua.
Deixou as chaves no sofá, abriu a porta e, antes de fechà-la, ouviu "I love you with all of my heart And I can't stop now..."
Deixou as chaves no sofá, abriu a porta e, antes de fechà-la, ouviu "I love you with all of my heart And I can't stop now..."
Na escada, enfiou a mão no bolso e atendeu o telefone. Suspirou, tranquilo.
- Alô... estou indo para ai.
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