- Tá ai?
- Oi....to sim!
- Escondida?
- É...até falei baixinho pra ninguém mais ouvir que estava falando com vc
- Hehehehehhe.
- Tá bom, vou sussurrar tbm.
- Isso.
- Tudo bem ai?
- Tudo médio, acordei meio jururu, mas estou tentando levantar.
- Mas tem um motivo ou são aquelas coisas inexplicáveis?
- Meu cérebro avariado, minhas variações quimicas, meu sobrenome português....
- Sei....crise existencial.
- Acho que é um pouco de depressão mesmo.
- Mas fala baixo. Isso pode preocupar algumas pessoas.
- Fica tranquilo.
- Mas vc acha que é isso mesmo?
- Há quanto vc está se sentindo assim?
- Vc tá indo na terapia?
- Estou. Tava bem, hoje que acordei assim, de cabeça baixa.
- Estou achando que vc está numa fase meio pra baixo mesmo, mas como eu não fico perto (no sentido literal) de vc por um tempo mais prolongado não sei te dizer o que eu acho.
- É, mas é aquilo que te disse. Sinto falta de mim mesmo. Sinto falta da minha vontade, da minha autonomia, do meu amor próprio.
- Sinto falta de não estar nem ai para as coisas, de cagar para quem está me enchendo, me enganando. Tenho saudade da minha indiferença. Sinto até saudade da minha cara mesmo. To com cara de careta. Quero minha cara de maluco de volta!!!
- Ih, acho que a coisa é grave mesmo...Tenho uma idéia! E se vc ficar menos com vc mesmo e mais com outras pessoas? Acho que isso pode te ajudar a perceber algumas coisas interessantes sobre as pessoas que irão refletir em vc.
- Preciso mesmo ficar mais com as pessoas.
- Pq se ficar sozinho não resolve o problema vc precisa ficar com as pessoas e ver o que dá
- É verdade. Vc tem razão. Mas e vc, como está?
- Não muito bem...
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quarta-feira, 11 de março de 2009
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Repaginada
por Vilauba Herrera
Novidades no resmungos. Isso Graças ao camarada e fantástico blogueiro e escrevedor e fotógrafo Dubem, a quem sou grato.

O cara é dono dessa aqui e outras mais...
segunda-feira, 17 de março de 2008
Transmissão
por Vilauba Herrera
Na escada, enfiou a mão no bolso e atendeu o telefone. Suspirou, tranquilo.
- Alô... estou indo para ai.
foto: Apu Gomes
Retirou as chaves do bolso de forma estapafúrdia, quase derrubou o buquê de rosas multicoloridas. Subia a escada em tempo recorde, para o seu tamanho e resistência física. Mas não arfava, tinha o olhar compenetrado nos degraus, cada lance. Imaginava o que ia falar, tinha dúvidas sobre como introduzir aquele assunto, tinha medo de gaguejar, pigarrear, babar. Ela sempre foi tão sensível.
As mãos estavam tremendo, no rosto, as primeiras gotas de suor escorriam pela testa grande. Faltavam dois lances de dez degraus. Parou por alguns segundos, passou a mão esquerda nos cabelos curtos e fez caretas para aliviar a tensão dos músculos da cara.
Chegou à porta, sutilmente, forço a maçaneta para ver se estava destrancada. Não estava. Rapidamente, colocou a chave e abriu vagarosamente. Otis Redding o recebeu: "There were time and you want to be free..."
Ele adorava I've Been Loving You Too Long, que rodava na vitrola no canto da sala. Seria a trilha. Colocou a bolsa em cima do sofá verde gasto. Logo depois, o buquê, camuflado entre duas almofadas coloridas.
Ela estava no quarto, a luz do abajour acesa. Olhou para o teto, não respirou fundo, não suspirou, apenas caminhou lentamente. Se estivesse dormindo faria o que? Não tinha pensado nessa situação.
- É você? Ela perguntou, em baixo volume. Nunca falava alto.
Não respondeu, já estava com um pé dentro do quarto. Lá estava ela, deitada, coberta somente por um lençol branco e extremamente fino. O livro em seu colo. Cabelos presos, a camisola que tinha lhe dado há alguns meses, em um dia qualquer, uma comemoração inventada.
Não respondeu, já estava com um pé dentro do quarto. Lá estava ela, deitada, coberta somente por um lençol branco e extremamente fino. O livro em seu colo. Cabelos presos, a camisola que tinha lhe dado há alguns meses, em um dia qualquer, uma comemoração inventada.
Não deu tempo de abaixar a cabeça, levantá-la e dar um sorriso fraco.
- Não quero mais. Não consigo pensar mais em você aqui do meu lado.
Ela, sempre tão sensível, tão cheia de cuidados, o pegou de surpresa. Não esperava o golpe e por isso, sorriu. Não teve controle, foi instântaneo.
Ela, sempre tão sensível, tão cheia de cuidados, o pegou de surpresa. Não esperava o golpe e por isso, sorriu. Não teve controle, foi instântaneo.
As mãos não saíram do bolso. Virou-se e saiu do quarto, ligeiro. Pegou sua bolsa, o buquê. Girou para observar a sala, iluminada pela lua e pela rua.
Deixou as chaves no sofá, abriu a porta e, antes de fechà-la, ouviu "I love you with all of my heart And I can't stop now..."
Deixou as chaves no sofá, abriu a porta e, antes de fechà-la, ouviu "I love you with all of my heart And I can't stop now..."
Na escada, enfiou a mão no bolso e atendeu o telefone. Suspirou, tranquilo.
- Alô... estou indo para ai.
domingo, 9 de março de 2008
Duelo de gerações
por Vilauba Herrera
Afrouxe essa corda ao redor da alma
Deixe soprar a realidade em seu peito
Não está errado, mas também não é perfeito
Cobra dos outros, as decisões arrependidas
Memórias são escudos para o fracasso futuro
Encapadas pelas gargalhadas aborrecidas
Que balançam os cabelos brancos e imaturos
A sua intolerância não me passa na garganta
Essa impáfia que borbulha embaixo dos dentes
A teoria frustrada camuflada de sacrossanta
Agradeço e dispenso essa tirania beneficente
Essa impáfia que borbulha embaixo dos dentes
A teoria frustrada camuflada de sacrossanta
Agradeço e dispenso essa tirania beneficente
Afrouxe essa corda ao redor da alma
Deixe soprar a realidade em seu peito
Não está errado, mas também não é perfeito
Cobra dos outros, as decisões arrependidas
Memórias são escudos para o fracasso futuro
Encapadas pelas gargalhadas aborrecidas
Que balançam os cabelos brancos e imaturos
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Documentários, comentários...

por Vilauba Herrera
Para quem gosta de documentários, as dicas são "Grass" e "Meu melhor inimigo", feitos, coincidentemente, no ano de 1999.
"Meu melhor inimigo" é um filme onde o cineasta alemão Werner Herzog conta a sua relação fora do comum com o ator Klaus Kinski. Completamente visceral, temperamental, agressivo, vaidoso, surpreendente, Kinski era quase indirigível. Quase, pois Werner Herzog o dirigiu em cinco filmes: Aguirre (1972), Woyzeck (1979), Nosferatu (1979), Fitzcarraldo (1982) e Cobra Verde (1987).
O filme tem imagens fantásticas de bastidores e mostram o ator, nascido na polônia, tendo reações coléricas, brigando com colegas de filmagens, com espectadores e com seu melhor inimigo, Herzog, é claro.
Para quem gosta de documentários, as dicas são "Grass" e "Meu melhor inimigo", feitos, coincidentemente, no ano de 1999.
"Meu melhor inimigo" é um filme onde o cineasta alemão Werner Herzog conta a sua relação fora do comum com o ator Klaus Kinski. Completamente visceral, temperamental, agressivo, vaidoso, surpreendente, Kinski era quase indirigível. Quase, pois Werner Herzog o dirigiu em cinco filmes: Aguirre (1972), Woyzeck (1979), Nosferatu (1979), Fitzcarraldo (1982) e Cobra Verde (1987).
O filme tem imagens fantásticas de bastidores e mostram o ator, nascido na polônia, tendo reações coléricas, brigando com colegas de filmagens, com espectadores e com seu melhor inimigo, Herzog, é claro.

No segundo, o diretor Ron Mann conta a saga da canabis Sativa nos Estados Unidos. O filme, de 1999 e com narração do ator Woody Harrelson, é um espetáculo de imagens antigas, que mostram a guerra fascista dos estadunidenses contra a erva e, principalmente, algumas minorias que a rodeavam. Mexicanos, comunistas, artistas e indivíduos um pouco mais, digamos, progressistas, eram e são perseguidos pelo governo. O filme mostra a série de mentiras inescrupulosas, das mais elaboradas até as mais chinfrins, propagadas pelo Tio Sam. Mas "Grass" também mostra o quanto (nós, terra brasilis) estamos atrasados em relação a qualquer tipo de discussão sobre legalização das "drogas", mudança de costumes, moral e preconceitos. Bem atrasados.
(valeu Serjoto, valeu Xulas)
(valeu Serjoto, valeu Xulas)
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