terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Jornalirismo 4


por Vilauba Herrera

Pintor é morto por causa do cão
Torcida enfurecida mata mais um
notícia propícia para o desjejum
o time perdeu, mas só um era vilão


Deixo o periódico ao lado, no gole de café
Na B-1, adolescente morto por um CD
viro a página, óbitos escrito com Z
Disco copiado, uma banda de arrasta-pé


Já faz tempo que assasinato virou uma rotina
Será mais uma absorção da cultura pop?
Ou apenas uma moda que fascina

Na capa de domingo está a foto da quadrilha
algemados, desdentados e sem camisa
Na manchete, o chefe, alto escalão de Brasília

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Qualquer troco, 20

por Vilauba Herrera


Agulha no ponto, esquenta uma água. Bota a cabeça para observar.
Fica entre as idéias e o pé dos sonhos, é só não desesperar.

Atente para os detalhes.

Aqueles muitos que nossa preguiça não nos deixa encostar.


Contra-tu

por Vilauba Herrera

Tava trabalhando quando travei.
Foi um tanto de dente para lá.
Um tanto, que de tonto e de
tédio eu não partia.

Trouxe tudo a todo custo.
Nem te deixei tranquilizar

Tossi troças, patas, cacos,
latas, ratos, até que atacado,
senti.

Trata agora de trotar para frente.
Não te transforma em tarde e mente.

Toda trama tem sua toada.
Mete a testa na tela, aponta
para outra rota e toma conta
da teia.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Transporte público é uma piada


por Vilauba Herrera


A notícia não é nova, mas problemas velhos continuam problemas.


O prefeito Gilberto kassab (DEM), eleito pelo....PSDB, aprovou a lei que estampa diversas marcas de grandes corporações, com sorrisos brancos de globais e modelos peitudas e musculosos.

Pela concessão do espaço, "o governo estima que possa arrecadar até R$ 150 milhões por ano", diz matéria da Folha de S.Paulo, que emenda, "Kassab afirmou que o dinheiro será usado para começar a enterrar fios e cabos."


Mas por que Kassab não coloca outra coisa no ponto de ônibus. As linhas que passam no local e seus respectivos horários.


Por que Kassab, que chamou um de vagabundo, na frente das câmeras, não peita os empresários do transporte?? Pode ser em reunião fechada, mesmo. Exige que os caras cumpram o horário, que os ônibus tenham conforto, que os motoristas não corram, que repassem os lucros aos funcionários das viações.....


Enterrar fios e cabos é fácil. Eu quero ver é enterrar os desmandos e a falta de caráter desses comerciantes, que agora querem, com a aprovação da prefeitura, diminuir o número de bancos nos ônibus. A população vai pagar R$ 2,30 para ficar em pé durante 1h, espremidos, até chegar aos seus trabalhos.


Ah, mas tem o bilhete único...

sábado, 24 de novembro de 2007

Moda da novela não muda

por Vilauba Herrera

Admito, já fui um noveleiro. Acompanhava as peripécias nada criativas dos heróis, apesar de preferir os coadjuvantes engraçados, meio amalucados. Mas faz alguns anos que estou "limpo". larguei essa vida. E mais, passei a ser um militante faminto por justiça. Morte às novelas, o ópio do povo.

E uma das coisas que mais me deixa com vontade de quebrar a televisão são as chamadas tendências que as produções novelísticas criam. Se não me engano, lembro de uma novela. Já não assistia, mas fugir de rodinhas que conversam sobre o tema é utopia. Voltando. Lembro de uma novela em que a atriz Cláudia Abreu interpretava uma mulher que sempre estava com vestidos. Sempre!!! vestidos das mais variadas cores, bordados, tamanhos, sei lá. Mas ela só usava vestido.

Pronto. Virou moda. O comércio de vestidos aumentou 30%, os donos de shoppings, os lojistas pulavam de alegria, davam entrevista, iam aos programas mostrar as novas coleções. As revistas de corte e costura publicavam: "Com apenas R$20, faça um vestido igual ao de fulana (a Cláudia Abreu)."

Me recordo também da moda lançada por Reynaldo Gianechinni. Em seu primeiro papel na TV, não lembro em qual novela, o modelo/ator usava um penteado que revolucionou a cabeça dos brasileiros, mesmo os que não tinham/têm o cabelo minimamente parecido com o de Giane.

Até hoje, o cabelinho penteado para frente, com um topete fingindo que é sem querer, domina a cabeça da população nacional. isso já faz alguns anos. Acho que veio para ficar.

Na última novela das 8, "Paraíso Tropical", a estupenda Camila Pitanga foi Bebel, puta ao estilo Júlia Roberts, em "Uma linda mulher". A morena causou comoção nos homens e nas mulheres, com suas roupas sensuais. As lojas pipocaram. Luciana Gimenez, da outra emissora, levou uma dúzia de estilistas que desenhavam a roupa que Bebel desfilava pelas ruas da zona sul.

Agora, a moda é pole dance, que foi trazida para o mundo global pela atriz Flávia Alessandra, eleita a nova Bebel, mas na novela Duas Caras, que substituiu "Patropi". Pole dance é aquela dança que as strippers fazem naquela barra de metal.

A moda já pegou. Após Flávia Alessandra exibir tudo que aprendeu com sua professora alexandra Valença, anônimas desse nosso Brasil já abandonaram as academias e as aulas de bolero, para aprender a arte da dança sensual e até reconquistar seus maridos e amantes.

Tudo muito bacana. Mas a pergunta que fica é? Quando uma novela vai lançar a moda de não jogar lixo pelas ruas? Quando a Suzana Vieira vai ser modelo para aquelas mulheres que se recusam a deixar a merda de seus cachorros pelas vias públicas? Quando veremos uma matéria no site do G1, informando que devido ao herói da novela das 8, as pessoas deixaram de furar filas nos bancos, no metrô, passaram a ler um livro por mês...etc

Não se esqueçam que as redes de televisão são concessões. Elas devem satisfação a nós, ao estado. Temos o direito e o dever de fiscalizar o que essas empresas colocam nas caixas quadradas hipnotizantes. Esse papo de "se não quiser ver, mude de canal, ou desligue a TV", é no mínimo tendencioso e apavorante.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Jornalirismo 3

Por Vilauba Herrera

Menina de 15 anos fica presa um mês em cela masculina
Bolsa do Japão sofre queda de 0,25% e desmonta Bovespa
Madeleine não está no Marrocos, avisa polícia londrina
Baguete com diamanantes é a novidade do planeta

Filha de Madonna pode trabalhar em comédia pastelão
Renan renova licença e avisa que volta no carnaval
Trânsito de 250km pára São Paulo antes do feriadão
Na Cashemira, 10mil morrem com terremoto e vendaval

Enquanto isso, Willian Bonner e Fátima Bernardes mostram sua nova casa
Boninho ensina como arremessar ovos pela sacada de Ipanema
Glória Maria vira capa de revista, enquanto a notícia fica guardada

No país, onde a informação é controlada por Bispo e empresário
Big Brother é revolução, Veja e novela determinam o valor do capital
Trabalhador vira deliquente e artista de propaganda, herói nacional

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Troféu Cara de Pau

por Vilauba Herrera

O troféu vai para o deputado Paulo Maluf, do Partido Progressista. O imortal e personagem histórico da política brasileira, demonstra que é um gênio do marketing próprio.

Em anúncio do seu partido, que reúne a nata da direita decadente e agressiva das terras tupiniquins, Maluf declara que a descoberta do campo de petróleo Tupi, pelo governo brasileiro, já tinha sido feita por ele, no fim da década de 70, quando era governador biônico de São Paulo.

Em 1979, Maluf e seu governo, apoiado pela ditadura, criou o consórcio Paulipetro para explorar petróleo no Estado. Mas o político não avisa que a Paulipetro, que causou um rombo nas contas do estado, abriu diversos buracos, na tentativa de encontrar "texas tea", no interior de São Paulo, e não lá no meio do mar, na bacia de Santos.

Senhor Paulo Maluf, o senhor está faltando com a verdade!!!!!!!! (Há uns 40 anos!!)