terça-feira, 8 de junho de 2010

Hora da razão

Olhei bem no fundo do olho dela. Disse que eu era maluco de falar aquelas coisas. - Nem me conhece, olha onde está. Nessa hora eu já brincava com a fita azul no punho esquerdo e ela nem se mexia. Do contrário. Ela ria e enxergava minha boca. - Sua barba tem partes meio vermelhas ou é a luz? Disse que pintava e, pela primeira vez, ela riu alto e esqueceu onde estávamos.
- Gosto dessa frase, eu disse com o dedo apontado para cima. - Qual? Disse ela.
Eu disse: Não vamos fuçar nossos defeitos. - É meio brega, ela falou com sorriso de covinhas do lado direito da bochecha. - Igual essa fita azul calcinha, eu retruquei.
Quase caiu da cadeira, às gargalhadas. Elas fazem de propósito. Virou a palma da mão para cima, apoiada na coxa. - Ela tem um laço. É meio brega mesmo.
- Ela é da maior importância?
- Claro que não. Você é muito brega, ela disse. - Não acredito que vai insistir com isso. Doido.
Sorrisos curiosos e tímidos. Pedi mais duas cervejas...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Parabéns, empresariado verde-amarelo

Hoje é comemorado o dia da Indústria no Brasil. Com a Fiesp de Paulo Skaf e tantos outros empresários e investidores, que tanto se dedicam ao desenvolvimento nacional, em polvorosa. Façamos uma pequena reflexão histórica. Claro, em ritmo de festa.

Entre 1950 e 1953, a Coréia viveu um período trágico. Empobrecido, o país passou por uma guerra entre EUA e aliados, contra a União Soviética e China. Ou seja, uma briga que nem era deles. Eram dos "libertadores".
Com mais de três milhões de mortos em três anos de conflito, a Coréia, dividida entre Norte e Sul, estava destroçada.

Quatro anos antes, em 1946, o Brasil de Getúlio Vargas inaugurava a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), até hoje, umas das maiores siderúrgicas do mundo. Era o Brasil entrando no mundo industrial com o pé forte. Bom, pelo menos, era para ser, mas....

Quase 60 anos depois, seguimos com a nossa indústria forte, preocupada com o progresso do país. E a Coréia, a do Sul?

Se ainda tem alguma dúvida, dê uma olhada pela sua casa ou pelas ruas e veja a quantidade de coisas daquele país que nós importamos ( Hyundai, Kia, Samsung e SsangYong...). De país destruído por uma guerra dos outros, a Coréia do Sul tornou-se um gigante econômico, que vende tecnologia ao mundo inteiro e que possui o melhor sistema de educação do planeta. Na década de 50, um em cada três coreanos era analfabeto. Hoje, oito em cada dez pessoas possui curso superior.

Parabéns Indústria brasileira, muito obrigado por tudo.

ps: ah, e a Coréia do Norte, o pessoal que gosta de nivelar por baixo vai perguntar. Bom, os dados sobre este país são pouco acessíveis. Mas, que eles deixam o império de cabelo em pé, eles deixam.

domingo, 18 de abril de 2010

Crise* Tricolor

O São Paulo ainda custa a aceitar, mas é hora de trocar a fórmula. Difícil insistir depois de levar mais uma aula do Santos. As duas filosofias não são novas, mas a usada pelo Santos é mais honesta. Em tempos de Indústria da bola, melhor entregar um produto de boa qualidade, cheio de dribles, tabelas, velocidade a animação, do que uma negócio meio, amarrado, esforçado, tenso, arrumado demais...apenas.

Saudosismo e títulos à parte, os são-paulinos têm como lembranças recentes grandes momentos defensivos (Mineiro-Josué, Miranda-Pirulito-Breno, Hernanes-Richarlyson...) e o fator Rogério Ceni, o goleiro-artilheiro.

Já é hora de, mesmo que o período de glórias não seja tão rico, reativar grandes a ofensividade tricolor, marca registrada na história do time. Leônidas, Zizinho, Teixeirinha, Canhoteiro, Toninho Guerreiro, Mirandinha, Pedro Rocha, Serginho Chulapa, Muller, Raí, Palhinha, Dodô, França, Luís Fabiano e companhia.

Hora de trocar três volantes por um, dois atacantes por três, chuveirinho por tabelas, responsabilidade extrema por malícia, cara fechado por risadas, futebol de resultado por futebol.


Toda a ideia deste texto foi baseada nos jogos com o Santos, o melhor time do Brasil. As outras derrotas foram embates entre o São Paulo, cansado dos quatro anos de f'órmula eficiente/desempolgante, contra equipes que iniciam o uso da mesma fórmula, só um pouco renovada. O sucesso pode até vir, mas o futebol, esse vai ficar no banco.


*definição: Oriunda do latim, o termo crise tem o mesmo sentido da palavra vento. Indica, um estágio de alternância, no qual uma vez transcorrido diferencia-se do que costumava ser.




sexta-feira, 16 de abril de 2010

Fusões



Essa parceria entre Beyoncé e Lady Gaga me lembra aquelas fusões entre grandes empresas, tipo Time-Warner, Itaú-Unibanco, AmBev-Interbrew, entre outras, muitas outras. Musiquinha meia boca, consumo (sucesso) absoluto, grana escorrendo pelos cantos da boca das duas e de suas gravadoras (ou é a mesma? Uma fusão também?).Alegria para poucos.


É o braço da tia Globalização na (indústria) música, que não perde a filosofia: pouca opção para muitos (e muito, mais muito mesmo lucro para uma meia dúzia).

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Bico de Papo de Capital Federal


- Seguinte. Fala pros caras votarem na liberação do homem. O cara já se fudeu. Puta constrangimento. Libera ele e a gente não volta a lembrar do esquema de vocês. Ano de eleição, sabe como é que é...

- Fechado. Passar bem.

- Ótimo. Bom dia.


- ...Alô...solta o cara.


terça-feira, 13 de abril de 2010

Mais um flagra do divino

Bom ou ruim? A cada flagra de pilantragem, a Igreja Universal do Reino de Deus dá uma explicação mais verdadeira sobre suas reais intenções. Se antes, Edir e os 40 mil lad...pastores negavam acusações e fatos, como o vídeo em que o próprio criador do empreendimento religioso é pego explicando como "pedir"o dízimo aos fiéis, agora, eles admitem que a o negócio é rezar para enriquecer. Pelo menos, eles estão conseguindo isso. E muito bem.

O problema é que fiel bom (para eles) é fanático e não enxerga um palmo à sua frente.

Mas o papo aqui inclui o casal cara de pau da Renascer, todas essas igrejas/empresas pentecostais, neopentecostais, que exploram a ignorância e a miséria humana, e também a ainda maior de todas, a inspiradora Igreja católica, que agora também passou a explorar criancinhas.

"Piedade para essa gente careta e covarde..."