sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Jornalirismo 2

por Vilauba Herrera

(das antigas)

Por favor, me digam onde é o buraco
que eu pulo e acabo com isso, emplaco
Apuro esquema, qualquer problema, ataco
Piso na lama de sapato branco, cato cavaco

Por favor, vou para a jaula dos leões, desatraco
Aguento tonelada, toco, chato e cheiro de sovaco
Ligo para Deus, Rá. Deixo recado até para rei polaco
Vou para a área, volto. Visado, me transformo em velhaco

Mas quando chega a hora do fechamento derradeiro
E vem o desespero, troco tudo, chamo o frei de cachaceiro
Idéias se escondem nas gavetas, inspiração cai do desfiladeiro

E preencho os espaços brancos entre mil cores de uma propaganda
A notícia legendada fica ali, tímida, ao lado de um duplex com varanda
E no bar em frente, xingo a verdade pra mostrar quem é que manda

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Baseado em fatos reais

por Vilauba Herrera

Academia, 11h da manhã, terça-feira. Lamentava por não ter trazido o tocador de música, companheiro das caminhadas por São Paulo. Música de academia é de doer. Carregava uma anilha (aqueles pesos em formato redondo), quando passei a lamentar o fato de a dance music que estalava nas caixas de som, não estalar mais, naquele momento.

O papo começou assim:

- Cara, abriram uma nova Bio ritmo, ali na (rua) Cerro Corá. Ela está linda, meu!!!!, disse um que carregava alguns pesos nos braços.
- Po, a Bio ritmo é demais, mesmo. mas nenhuma supera a Runner!!!
- É mesmo, a Runner é foda. O Souza do São Paulo (FC), vai lá só para jogar Futevôlei. O negócio é um clube.

Essa foi a introdução. Continua.

- Eu fiz a prova para entrar lá na Runner. Putz, foi difícil. Tirei 10 na prova prática. Precisava de 7 na teórica. Mas tirei 6. cara, a prova é tão difícil, que tinha até duas perguntas de conhecimentos gerais.
- É mesmo? Quais eram? Perguntou o terceiro integrante da cena.
- Uma perguntava quais eram os estados do centro-oeste. É Goiânia, Mato Grosso e Tocantins, né?
- É, acho que é sim. E qual era a outra?
- Era sobre o Renan Celheiros, sei lá o nome do cara. Perguntava de qual cargo ele tinha sido afastado. Você sabe?
- Da presidência da Câmara, né.
- Então, complicado, tem que estar ligado nas coisas, ler jornal. Eu, às vezes, vejo na TV alguma coisa.
- Ah, eu tenho que saber dessas coisas, por que sou advogado, né? Minha profissão.

...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Bradesco lucra, mas desconta

por Vilauba Herrera

E o Bradesco, maior instituição privada do Brasil, apresentou seus lucros entre janeiro a setembro de 2007. A bagatela de R$ 5,817 bilhões. Um crescimento de 73,6% em relação ao ano passado. De acordo com o Sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo, o motivo do salto nas contas da empresa, foi o aumento da carteira de crédito. Mais 27% em relação a 2006.
Isso quer dizer que enquanto você se endivida para financiar o seu Palio 1000, o Banco Brasileiro de Descontos, fundado em 1943, na cidade de Marília, vai enchendo os bolsos.

"O aumento do lucro do banco é reflexo do empenho e da dedicação dos funcionários que têm se desdobrado para superar o sufoco nas agências e departamentos decorrente das condições inadequadas de trabalho e da falta de pessoal", diz, no site do Sindicato, a secretária-geral Juvandia Moreira.

A afirmação de Juvandia condiz com o que vejo na "firma" onde trabalho. Parceira do Bradesco, a empresa possui uma pequena agência em suas dependências. Quem trabalha lá, com carteira assinada, é obrigado a ter uma conta no Banco dos Descontos.

A agência está sempre cheia. Muitos funcionários organizando suas vidas; empréstimos, financiamentos, planos de previdência e o escambau.

Mas quando a agência esvazia, o Bradescão não pára. Rapidamente, como se estivessem passaeando e revendo amigos e colegas de trabalho, funcionários (as) do banco adentram as salas para bater papo e... oferecer "mais um empréstimo com juros baixos", "Ei, não é você que fez um empréstimo comigo mês passado, não quer fazer outro?" e sorri, alegre, enquanto um funcionário envergonhado responde com uma esticada de lábios. São os planos e metas da empresa. Quem conseguir mais reféns, ops, clientes, leva no final do mês. É uma empresa justa.

Mas não é bem assim. "Os bancários merecem ser valorizados por todo esse esforço, com o Bradesco atendendo às reivindicações específicas que encaminhamos à empresa, como o auxílio-educação aos funcionários". Sim, a secretária-geral do Sindicato revela. O Bradesco e seus mais de R$ 5 bilhões, não dá apoio financeiro aos seus funcionários para que paguem a educação dos filhos.

O Banco dos Descontos, ao invés de investir na educação, prefere gastar um caraminguá no programa estorno zero. Esse sistema ameaça os caixas que erram nas operações, de demissão.

Sim, o banco não paga o ensino, mas pune quem erra, talvez pela falta de ensino. E assim , o Bradesco vai descontando em seus clientes e funcionários, enquanto goza os frutos de um trabalho voltado ao desenvolvimento do país.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Verso

por Vilauba Herrera

perdido em uma folha de papel
caminhou até a borda, o abismo
Olhou para baixo, para os lados
não teve vergonha, rabiscou o céu

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Brasil na Bolsa

Por Vilauba Herrera
Agora vai. A grande mídia comemora. A Bolsa de São Paulo foi a única da América Latina que conseguiu se recuperar, após a crise que "abalou Dow Jones", desde julho último.
Fiquei estupefato, já que com essa recuperação, meu gordo salário foi melhorado ainda mais. Soube também que os indíces positivos na Bovespa fizeram três favelas próximas ao centro da capital paulista, acabar. Se tornaram bairros de classe média, com vasos sanitários, água encanada, multishow e Telecine para todos. Isso assim, de três meses para cá.
Enquanto na Argentina, a Merval (Bolsa de lá), não atingiu os patamares mínimos. Assim, os hermanos continuam olhando para cima para nos ver. Ainda bem, né? Aqui quem manda é a gente. O México, que vem tentando tirar nossa posto de primeiro capanga do Tio Sam na América Latina, viu sua bolsa quase chegar, mas não deu. O título é nosso. Vamos comemorar!!! Eu sou brasileiro com muito orgulho e muito amor!!!!!!! Ahe Brasil!!!!!!!!!

domingo, 5 de agosto de 2007

"Vão brincar na p..." - um conto popular


Adaptação Vilauba Herrera

Em uma redação de um jornal, os direitos trabalhistas eram mais maleáveis que uma folha de papel e os funcionários viviam sob o mal-humor e frustrações da chefia.

Era um dia comum, os funcionários produziam. Computadores ligados. Bocejos, televisões ligadas em diferentes canais produziam um zumbido estranho, mas comum naquele ambiente de silêncio extinto.

Era para ser uma noite comum. Porém, em meio a rotina entediante, sacrificante daquele lugar, uma simples brincadeira poderia causar risadas tranquilizadores para alguns, como também choros raivosos e extravagantes em outros. E foi isso que aconteceu.

Gritos de um lado, gargalhadas contidas em outro, soluços, correria, ameaças. Até a periodicidade do jornal foi posta em xeque, devido aquela pequena peça armada para deixar o ambiente mais agradável.

Mas a balbúrdia não seria tolerada.
A cúpula reuniu-se na sala principal. Gestos exaltados, mãos na cabeça, risos contidos, sinais de negação, fim. A decisão estava tomada. Editores foram chamados e entraram aos poucos na pequena sala da direção.

- Entrem.

Todos estavam calados, cabeças abaixadas, olhando para dois dos chefes do Periódico. O esporro começou, sem meias palavras. A dupla-chefe revezava-se nas palavras.

Cicrano - Aqui nao é lugar de brincadeira.
Fulano - Sim, acabou a graça, agora é só na seriedade.
Cicrano - É.
Cicrano - Quer brincar, vão brincar na puta que pariu...
Cicrano - Aqui não.
Fulano - Sim, quer ir para a puta que pariu brincar, use suas férias para isso...
Fulano - AQUI Não!!!
Cicrano - Quer ir pra puta que pariu brincar, use as folgas que nós não damos a vocês.
Fulano - Quer ir para a puta que pariu brincar, use seu salário. Aqui nós só bancamos para vocês se foderem. Se foder sim, ir para a puta que pariu, daí não.
Cicrano - Só pode ir pra puta que pariu se não for pra brincar...
Cicrano - Vai só se for pra se foder.
Fulano - Para se foder, nós damos uma requisição até, mas tem que ir com fotógrafo!!
Cicrano - Porque vocês sao abusados até na hora de se foder...
Cicrano - Usam as requisições pra ir em outros lugares, tipo pra puta que pariu.
Fulano - Isso é um absurdo, Se foder é coisa séria, ir para a puta que o pariu, não.
Cicrano - Ir pra puta que pariu é coisa de quem so quer saber de brincar...
Cicrano - E eu ja falei que aqui nao é lugar de brincar...
Cicrano - Só se for de boneca.

Obs: A história toda parece absurda, não, ela é absurda. Mas é baseada em fatos reais ( e surreais, diziam alguns contemporâneos do ocorrido)

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Estamos seguros, fiquem tranquilos



Por Vilauba Herrera

E o site sensacionalista G1, da multiimperial Globo, anuncia: 300 homens ocupam a Rocinha desde a manhã desta quinta-feira, 2/8/07. De acordo com informações da própria "corporação" (eles gostam de usar este nome, é forte), seis pessoas foram presas e 20, vejam só, 20 motos foram apreendidas. Ah, maconha e armas também.


Vamos aos criminosos:
de acordo com o site, o primeiro detido é chamado de TH e já foi para o xilindró por tráfico de drogas. O segundo meliante afirmou, no momento do enquadro, que não é marginal. Não interessa, pelo menos para o site e pela polícia. Foi preso e acabou. Quem tem que provar que não é bandido é ele.


O terceiro, dizem que é irmão de um traficante. Claro, quem é irmão de traficante, traficante é, não é mesmo? Será que ele tinha dólares na cueca, ou será que fazia ameaças usando o nome do irmão?


O quarto safardana estava em uma moto roubada. E ele declarou, "Se eu soubesse que a moto era roubada, não passaria no meio da batida." Perdeu, mermão, já era, foi para a gaiola.


O quinto estava com rádio transmissores, armas de destruição em massa. O sexto é acusado pela tropa de ser o chefe da quadrilha de ladrões de motos. Boa, cortaram o mal pela raiz.


Ufa, nossa força policial está nas ruas, podemos ficar tranquilos.