quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Ser calmo...citeno


por Vilauba Herrera


O sol socou-lhe a cara, depois das 12 horas
Acordou flácido e com o queixo dolorido
Para não pregar os olhos, tomou um comprimido
Gole de vinho avinagrado para acelerar a melhora


Dizia que não existe bom dia pela manhã
A raiva quente ao bocejar, que lhe domina
Cuidava com banho frio e aquela dose de Ritalina
Já no metrô, se acalmava com um drops Diazepan


Baldeação, tumulto e correria até o final
descia louco, xingava todos, "Vão pra puta que pariu!"
Entrava na primeira lanchonete, "Me arranja um Rivotril"


O dia passava soturno, não olhava pela janela
Procurava alguém, inconformado, louco por um revide
Mas só encontrava o caos que almejava, dentro de um Dualid

Futebol e Política

por Lucas Marchesini

Uma pesquisa interessante a ser feita pelo IBOPE, Datafolha ou IBGE seria a seguinte: Quanto por cento da população brasileira sabe que Renan foi absolvido hoje em um segundo processo de cassação? E quantos brasileiros sabem sobre o mensalão tucano? Finalmente, quantos dos entrevistados ouviram sobre o rebaixamento do Corinthians?

Praticamente todos saberiam que o segundo clube mais popular do Brasil foi para a segunda divisão nacional. Claro, a Globo fez uma grande reportagem e falou disso até no fantástico. A segunda absolvição do ex-presidente do senado não teve e não terá essa cobertura. Muito menos o mensalão tucano que já até fez ministro renunciar (Walfrido Mares Guias, relações Institucionais).

Os veículos de comunicação diriam que elas são vitimas do capitalismo. Procuram o lucro e o lucro vem com o ibope para televisões,em tiragem para jornais, etc... logo eles devem falar sobre o que o publico quer ouvir. E o Brasil é o país do futebol, logo a equação é simples. O público diria simplesmente que não sabia por que os meios de comunicação não abordaram o tema, logo eles não tinham acesso à informação.

Nesse círculo vicioso o povo continua adormecido, a maioria dos veículos de comunicação alienantes, o Corinthians na segunda divisão, os políticos corruptos impunes e o Brasil na merda.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Jornalirismo 4


por Vilauba Herrera

Pintor é morto por causa do cão
Torcida enfurecida mata mais um
notícia propícia para o desjejum
o time perdeu, mas só um era vilão


Deixo o periódico ao lado, no gole de café
Na B-1, adolescente morto por um CD
viro a página, óbitos escrito com Z
Disco copiado, uma banda de arrasta-pé


Já faz tempo que assasinato virou uma rotina
Será mais uma absorção da cultura pop?
Ou apenas uma moda que fascina

Na capa de domingo está a foto da quadrilha
algemados, desdentados e sem camisa
Na manchete, o chefe, alto escalão de Brasília

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Qualquer troco, 20

por Vilauba Herrera


Agulha no ponto, esquenta uma água. Bota a cabeça para observar.
Fica entre as idéias e o pé dos sonhos, é só não desesperar.

Atente para os detalhes.

Aqueles muitos que nossa preguiça não nos deixa encostar.


Contra-tu

por Vilauba Herrera

Tava trabalhando quando travei.
Foi um tanto de dente para lá.
Um tanto, que de tonto e de
tédio eu não partia.

Trouxe tudo a todo custo.
Nem te deixei tranquilizar

Tossi troças, patas, cacos,
latas, ratos, até que atacado,
senti.

Trata agora de trotar para frente.
Não te transforma em tarde e mente.

Toda trama tem sua toada.
Mete a testa na tela, aponta
para outra rota e toma conta
da teia.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Transporte público é uma piada


por Vilauba Herrera


A notícia não é nova, mas problemas velhos continuam problemas.


O prefeito Gilberto kassab (DEM), eleito pelo....PSDB, aprovou a lei que estampa diversas marcas de grandes corporações, com sorrisos brancos de globais e modelos peitudas e musculosos.

Pela concessão do espaço, "o governo estima que possa arrecadar até R$ 150 milhões por ano", diz matéria da Folha de S.Paulo, que emenda, "Kassab afirmou que o dinheiro será usado para começar a enterrar fios e cabos."


Mas por que Kassab não coloca outra coisa no ponto de ônibus. As linhas que passam no local e seus respectivos horários.


Por que Kassab, que chamou um de vagabundo, na frente das câmeras, não peita os empresários do transporte?? Pode ser em reunião fechada, mesmo. Exige que os caras cumpram o horário, que os ônibus tenham conforto, que os motoristas não corram, que repassem os lucros aos funcionários das viações.....


Enterrar fios e cabos é fácil. Eu quero ver é enterrar os desmandos e a falta de caráter desses comerciantes, que agora querem, com a aprovação da prefeitura, diminuir o número de bancos nos ônibus. A população vai pagar R$ 2,30 para ficar em pé durante 1h, espremidos, até chegar aos seus trabalhos.


Ah, mas tem o bilhete único...

sábado, 24 de novembro de 2007

Moda da novela não muda

por Vilauba Herrera

Admito, já fui um noveleiro. Acompanhava as peripécias nada criativas dos heróis, apesar de preferir os coadjuvantes engraçados, meio amalucados. Mas faz alguns anos que estou "limpo". larguei essa vida. E mais, passei a ser um militante faminto por justiça. Morte às novelas, o ópio do povo.

E uma das coisas que mais me deixa com vontade de quebrar a televisão são as chamadas tendências que as produções novelísticas criam. Se não me engano, lembro de uma novela. Já não assistia, mas fugir de rodinhas que conversam sobre o tema é utopia. Voltando. Lembro de uma novela em que a atriz Cláudia Abreu interpretava uma mulher que sempre estava com vestidos. Sempre!!! vestidos das mais variadas cores, bordados, tamanhos, sei lá. Mas ela só usava vestido.

Pronto. Virou moda. O comércio de vestidos aumentou 30%, os donos de shoppings, os lojistas pulavam de alegria, davam entrevista, iam aos programas mostrar as novas coleções. As revistas de corte e costura publicavam: "Com apenas R$20, faça um vestido igual ao de fulana (a Cláudia Abreu)."

Me recordo também da moda lançada por Reynaldo Gianechinni. Em seu primeiro papel na TV, não lembro em qual novela, o modelo/ator usava um penteado que revolucionou a cabeça dos brasileiros, mesmo os que não tinham/têm o cabelo minimamente parecido com o de Giane.

Até hoje, o cabelinho penteado para frente, com um topete fingindo que é sem querer, domina a cabeça da população nacional. isso já faz alguns anos. Acho que veio para ficar.

Na última novela das 8, "Paraíso Tropical", a estupenda Camila Pitanga foi Bebel, puta ao estilo Júlia Roberts, em "Uma linda mulher". A morena causou comoção nos homens e nas mulheres, com suas roupas sensuais. As lojas pipocaram. Luciana Gimenez, da outra emissora, levou uma dúzia de estilistas que desenhavam a roupa que Bebel desfilava pelas ruas da zona sul.

Agora, a moda é pole dance, que foi trazida para o mundo global pela atriz Flávia Alessandra, eleita a nova Bebel, mas na novela Duas Caras, que substituiu "Patropi". Pole dance é aquela dança que as strippers fazem naquela barra de metal.

A moda já pegou. Após Flávia Alessandra exibir tudo que aprendeu com sua professora alexandra Valença, anônimas desse nosso Brasil já abandonaram as academias e as aulas de bolero, para aprender a arte da dança sensual e até reconquistar seus maridos e amantes.

Tudo muito bacana. Mas a pergunta que fica é? Quando uma novela vai lançar a moda de não jogar lixo pelas ruas? Quando a Suzana Vieira vai ser modelo para aquelas mulheres que se recusam a deixar a merda de seus cachorros pelas vias públicas? Quando veremos uma matéria no site do G1, informando que devido ao herói da novela das 8, as pessoas deixaram de furar filas nos bancos, no metrô, passaram a ler um livro por mês...etc

Não se esqueçam que as redes de televisão são concessões. Elas devem satisfação a nós, ao estado. Temos o direito e o dever de fiscalizar o que essas empresas colocam nas caixas quadradas hipnotizantes. Esse papo de "se não quiser ver, mude de canal, ou desligue a TV", é no mínimo tendencioso e apavorante.