por Vilauba Herrera
Recuperei o violão dos tempos de aulas com Luís, o "Branca". Daquela época, sobrou bandeira branca, que toco em novo arranjo. Na última vez que me apresentei para um público maior do que duas pessoas, causei comoção: os amigos completamente bêbados caíram na risada, já nos primeiros acordes. E caíram no chão mesmo, quando comecei a cantar e uma gordinha, amiga de não sei quem, que estava na casa do Nelson, na aprazível Itanhanhem (?), achou que eu a estivesse homenageando com "baleia branca". A guria saiu irada da sala, para delírio da multidão. E eu só fui perceber no camarim, após o espetáculo. Não me recordo a data deste show. mas agora, com o Di Giorgio nº 15 ali, encostado na sala, imagino voltar a tocar. talvez chamar um pessoal, fazer uma banda. Alguma coisa assim.
sábado, 6 de setembro de 2008
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Seu João e a famigerada Justiça (das neves)
por Vilauba Herrera
"Ele é um monstro, tem duas filhas, mas não quero que passe pela mesma situação que eu. Só quero que a justiça seja feita.'' - João Florentino Gomide, setembro de 2000.
Amanhã, quando abrir os jornais, seu João terá mais um dia de frustração em sua vida, que já dura quase 70 anos. Mas se ele possui um computador, a frustração chegou hoje mesmo.
Isso porque neste dia 2 de setembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) diminui a pena do jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, que matou a ex-namorada e filha de João, Sandra Gomide, de 18 para 15 anos. Além disso, o STJ manteve recurso que mantém Pimenta Neves passar todo o processo em liberdade, até em eventuais recursos judiciais.
A decisão do STJ ocorreu durante recurso especial pedido por Pimenta Neves, que na época era diretor de redação do ESTADÃO, para anular o julgamento que o condenou a 19 anos, em 2006.
Ainda não vi coisa alguma na TV sobre o caso. Duvido que os Datenas da vida irão levantar a voz em defesa do seu João e sua família. Vamos aguardar o que os periódicos de amanhã.
A Justiça que seu João pediu e não conseguiu é representada por estes nomes:
Ministra Maria Thereza de Assis Moura: votou pela manutenção do julgamento, porém, pediu a diminuição da pena, levando em conta a "confissão espontânea" de Pimenta Neves. A ministra considerou exagerada um dos argumentos usados na pena original, de que o assassinato de Sandra causou um grande trauma à sua família.
Desembargadora Jane Silva: votou pela redução da pena para 14 anos
Ministro Nilson Naves: também votou pela redução para 14 anos
Ministros Paulo Galocci e Og Fernandes: "Mais justos", pela redução para 16 anos
"Ele é um monstro, tem duas filhas, mas não quero que passe pela mesma situação que eu. Só quero que a justiça seja feita.'' - João Florentino Gomide, setembro de 2000.
Amanhã, quando abrir os jornais, seu João terá mais um dia de frustração em sua vida, que já dura quase 70 anos. Mas se ele possui um computador, a frustração chegou hoje mesmo.
Isso porque neste dia 2 de setembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) diminui a pena do jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, que matou a ex-namorada e filha de João, Sandra Gomide, de 18 para 15 anos. Além disso, o STJ manteve recurso que mantém Pimenta Neves passar todo o processo em liberdade, até em eventuais recursos judiciais.
A decisão do STJ ocorreu durante recurso especial pedido por Pimenta Neves, que na época era diretor de redação do ESTADÃO, para anular o julgamento que o condenou a 19 anos, em 2006.
Ainda não vi coisa alguma na TV sobre o caso. Duvido que os Datenas da vida irão levantar a voz em defesa do seu João e sua família. Vamos aguardar o que os periódicos de amanhã.
A Justiça que seu João pediu e não conseguiu é representada por estes nomes:
Ministra Maria Thereza de Assis Moura: votou pela manutenção do julgamento, porém, pediu a diminuição da pena, levando em conta a "confissão espontânea" de Pimenta Neves. A ministra considerou exagerada um dos argumentos usados na pena original, de que o assassinato de Sandra causou um grande trauma à sua família.
Desembargadora Jane Silva: votou pela redução da pena para 14 anos
Ministro Nilson Naves: também votou pela redução para 14 anos
Ministros Paulo Galocci e Og Fernandes: "Mais justos", pela redução para 16 anos
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sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Força (monetária) estranha
por Vilauba Herrera
Os críticos gostam mesmo de meter o pau nos dinossauros da música brasileira. Isso não é novidade para ninguém, muito menos para Caetano Veloso.
Caê responder aos "jornalistas culturais" também já está ficando mais batido que cantor de pagode decadente que vira sucesso gospel.
Mas dessa vez o artista inovou nas rebatidas. Diante das matérias feitas pelos repórteres Sylvia Colombo, da Folha e Jotabê Medeiros, do Estadão, que criticaram a falta de criatividade e a monotonia do show de Veloso com o rei Roberto, o compositor de "Alegria, alegria" deu uma de Reinaldo Azevedo.
Assim como o capataz da Veja, chamado de [Rei] pelos seus leitores, Caetano disparou: "Escrevo isso só para mostrar aos que comentaram as críticas hilárias da província paulistana que também li e que fiquei com pena dos dois fanfarrões que não sabem nem escrever. O do Estadão então é inacreditável. Como é que qualquer editor deixa sair um texto com tantos erros de português, tantas redundâncias e obscuridades, tamanha incapacidade de articular pensamentos? A da Folha não sabe pensar mas exprime de forma primária esse seu não-saber", diz um dos trechos do texto "Marginal Pinheiros", no blog http://www.obraemprogresso.com.br/
Não assisti ao show e imagino que se a dupla não homenagear a bossa nova em praça pública, sem cadastramentos prévios e ingressos impagáveis, não assistirei.
Mas imagino, mesmo tendo pés atrás com os críticos da grande (de grana e poder) imprensa, que o espetáculo não tenha sido um espetáculo.
Já acho estranho colocar Roberto Carlos para cantar bossa nova. Mais bizarro é colocar Robertão, que aos 67, é (ou se vê) mais importante do que a própria bossa. Além disso, faz tempo que o rei não inova. Tenho até dúvidas se a Globo não repete o mesmo especial dele há anos.
Também acredito que Caetano tenha se emocionado ao cantar "Caminho de Pedra" e "O que Tinha de Ser". Mas como já disse e prova sua biografia, Veloso foi realmente lapidado pela bossa ( não só ela). Mas estranho é esse contra-ataque ríspido.
E não vejo Caetano defendendo Roberto, vejo em seu texto, a defesa do show em si, o formato, o conceito, como se Roberto/Caetano tivessem acabado de igualar os Doces Bárbaros, no Canecão. Não igualou.
Caetano Veloso e Roberto Carlos foram contratados pelo banco Itaú e homenagearam Tom, João, Carlinhos, Nara e toda a bossa por muito dinheiro. Prestaram serviço e devem até ter passado nota para trabalhar em uma festa para a elite (provinciana) paulistana e a (incrivelmente progressista moderna e descolada) carioca.
O funcionário Caetano soou pelego em sua resposta. Pois nem o próprio Itáu moveu-se para discordar.
Os críticos gostam mesmo de meter o pau nos dinossauros da música brasileira. Isso não é novidade para ninguém, muito menos para Caetano Veloso.
Caê responder aos "jornalistas culturais" também já está ficando mais batido que cantor de pagode decadente que vira sucesso gospel.
Mas dessa vez o artista inovou nas rebatidas. Diante das matérias feitas pelos repórteres Sylvia Colombo, da Folha e Jotabê Medeiros, do Estadão, que criticaram a falta de criatividade e a monotonia do show de Veloso com o rei Roberto, o compositor de "Alegria, alegria" deu uma de Reinaldo Azevedo.
Assim como o capataz da Veja, chamado de [Rei] pelos seus leitores, Caetano disparou: "Escrevo isso só para mostrar aos que comentaram as críticas hilárias da província paulistana que também li e que fiquei com pena dos dois fanfarrões que não sabem nem escrever. O do Estadão então é inacreditável. Como é que qualquer editor deixa sair um texto com tantos erros de português, tantas redundâncias e obscuridades, tamanha incapacidade de articular pensamentos? A da Folha não sabe pensar mas exprime de forma primária esse seu não-saber", diz um dos trechos do texto "Marginal Pinheiros", no blog http://www.obraemprogresso.com.br/
Não assisti ao show e imagino que se a dupla não homenagear a bossa nova em praça pública, sem cadastramentos prévios e ingressos impagáveis, não assistirei.
Mas imagino, mesmo tendo pés atrás com os críticos da grande (de grana e poder) imprensa, que o espetáculo não tenha sido um espetáculo.
Já acho estranho colocar Roberto Carlos para cantar bossa nova. Mais bizarro é colocar Robertão, que aos 67, é (ou se vê) mais importante do que a própria bossa. Além disso, faz tempo que o rei não inova. Tenho até dúvidas se a Globo não repete o mesmo especial dele há anos.
Também acredito que Caetano tenha se emocionado ao cantar "Caminho de Pedra" e "O que Tinha de Ser". Mas como já disse e prova sua biografia, Veloso foi realmente lapidado pela bossa ( não só ela). Mas estranho é esse contra-ataque ríspido.
E não vejo Caetano defendendo Roberto, vejo em seu texto, a defesa do show em si, o formato, o conceito, como se Roberto/Caetano tivessem acabado de igualar os Doces Bárbaros, no Canecão. Não igualou.
Caetano Veloso e Roberto Carlos foram contratados pelo banco Itaú e homenagearam Tom, João, Carlinhos, Nara e toda a bossa por muito dinheiro. Prestaram serviço e devem até ter passado nota para trabalhar em uma festa para a elite (provinciana) paulistana e a (incrivelmente progressista moderna e descolada) carioca.
O funcionário Caetano soou pelego em sua resposta. Pois nem o próprio Itáu moveu-se para discordar.
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008
O dia começa pela manhã
por Vilauba Herrera
A noite tinha sido daquelas. É o que dá ser um grande apreciador de cerveja e trabalhar como lavador de pratos em um típico pub londrino. Mas aos 19 anos, na Inglaterra há cinco dias e com um vocabulário nativo de sete palavras, ter arranjado um emprego estava ótimo, mais do que ótimo.
Mas ótima não estava sua cabeça na manhã de 30 de janeiro de 1969. Sentia a testa latejando, a boca seca. O pior era o frio. O cobertor, as sete camisetas e três blusas de lã costuradas pela vó não eram suficientes para o inverno inglês, naquele quarto em um sótão sem calefação. Idéia do marroquino, parceiro de cozinha no pub, mas que nunca dormia lá.
O dia já tinha surgido na janela, mas poderia ficar mais duas horas na cama. Colocou o travesseiro na cara e se sentiu confortável. Poucos minutos depois, vozes o tiraram do sono pesado. Resmungou sem abrir os olhos. Logo o número de vozes aumentou. - Uma briga na rua no prédio da frente é muito azar, pensou. Mesmo assim, permaneceu deitado.
O ronco já tinha voltado a dominar o cubículo, quando gargalhadas invadiram o ambiente. Levantou de sopetão, o travesseiro foi parar do outro lado do quarto. Olhou para os lados e quando colocou o pé esquerdo no chão, o barulho cessou. - 1, 2, 3, 4 , 5, 6...no oito já estava deitado novamente, com uma das mãos segurando a cabeleira, um travesseiro adaptado.
Um ruído fino chegou aos seus ouvidos e de quem estivesse a um quilomentro de distância.
Puxou o cobertor até a cara. O barulhou foi substituído por uma balbúrdia de palmas e uma voz meio anasalada. - Vão todos tomar no cu, eu vou acabar com essa porra toda. Pulou da cama e correu com a raiva nos olhos, abriu a janela e quando ia excomungar a Grã Bretanha inteira, viu.
A noite tinha sido daquelas. É o que dá ser um grande apreciador de cerveja e trabalhar como lavador de pratos em um típico pub londrino. Mas aos 19 anos, na Inglaterra há cinco dias e com um vocabulário nativo de sete palavras, ter arranjado um emprego estava ótimo, mais do que ótimo.
Mas ótima não estava sua cabeça na manhã de 30 de janeiro de 1969. Sentia a testa latejando, a boca seca. O pior era o frio. O cobertor, as sete camisetas e três blusas de lã costuradas pela vó não eram suficientes para o inverno inglês, naquele quarto em um sótão sem calefação. Idéia do marroquino, parceiro de cozinha no pub, mas que nunca dormia lá.
O dia já tinha surgido na janela, mas poderia ficar mais duas horas na cama. Colocou o travesseiro na cara e se sentiu confortável. Poucos minutos depois, vozes o tiraram do sono pesado. Resmungou sem abrir os olhos. Logo o número de vozes aumentou. - Uma briga na rua no prédio da frente é muito azar, pensou. Mesmo assim, permaneceu deitado.
O ronco já tinha voltado a dominar o cubículo, quando gargalhadas invadiram o ambiente. Levantou de sopetão, o travesseiro foi parar do outro lado do quarto. Olhou para os lados e quando colocou o pé esquerdo no chão, o barulho cessou. - 1, 2, 3, 4 , 5, 6...no oito já estava deitado novamente, com uma das mãos segurando a cabeleira, um travesseiro adaptado.
Um ruído fino chegou aos seus ouvidos e de quem estivesse a um quilomentro de distância.
Puxou o cobertor até a cara. O barulhou foi substituído por uma balbúrdia de palmas e uma voz meio anasalada. - Vão todos tomar no cu, eu vou acabar com essa porra toda. Pulou da cama e correu com a raiva nos olhos, abriu a janela e quando ia excomungar a Grã Bretanha inteira, viu.
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sábado, 16 de agosto de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Olhares
por Vilauba Herrera

As mães do morro que perderam filhos pelas armas da polícia (do Estado) agora encaram o asfalto. Obra do fotógrafo francês JR no morro da Previdência, Rio de Janeiro, Brasil.

As mães do morro que perderam filhos pelas armas da polícia (do Estado) agora encaram o asfalto. Obra do fotógrafo francês JR no morro da Previdência, Rio de Janeiro, Brasil.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Piada pesada
por Vilauba Herrera
"Não estamos em 1968. A Rússia não pode fazer o que quiser, invadir um país e sair impune", declarou a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, em coletiva transmitida pela rede CNN nesta quarta-feira.
É brincadeira, né?
Para:
MÉXICO , ARGENTINA, CHILE, HAITI, NICARÁGUA, CHINA, CORÉIA, PANAMÁ, CHINA, FILIPINAS, CUBA, PORTO RICO, ILHA DE GUAM, ESPANHA, NICARÁGUA, ILHA DE SAMOA, HONDURAS, REPÚBLICA DOMINICANA, RÚSSIA, IUGOSLÁVIA, GUATEMALA, EL SALVADOR, IRÃ, GRÉCIA, VENEZUELA, EGITO, LÍBANO, CAMBOJA, ILHA DE GRANADA, BOLÍVIA, LIBÉRIA, IRAQUE, ARÁBIA SAUDITA, SOMÁLIA, ZAIRE, ALBÂNIA, COLÔMBIA, AFEGANISTÃO... não foi.
"Não estamos em 1968. A Rússia não pode fazer o que quiser, invadir um país e sair impune", declarou a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, em coletiva transmitida pela rede CNN nesta quarta-feira.
É brincadeira, né?
Para:
MÉXICO , ARGENTINA, CHILE, HAITI, NICARÁGUA, CHINA, CORÉIA, PANAMÁ, CHINA, FILIPINAS, CUBA, PORTO RICO, ILHA DE GUAM, ESPANHA, NICARÁGUA, ILHA DE SAMOA, HONDURAS, REPÚBLICA DOMINICANA, RÚSSIA, IUGOSLÁVIA, GUATEMALA, EL SALVADOR, IRÃ, GRÉCIA, VENEZUELA, EGITO, LÍBANO, CAMBOJA, ILHA DE GRANADA, BOLÍVIA, LIBÉRIA, IRAQUE, ARÁBIA SAUDITA, SOMÁLIA, ZAIRE, ALBÂNIA, COLÔMBIA, AFEGANISTÃO... não foi.
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