terça-feira, 10 de junho de 2008

Momento piada

por Vilauba Herrera

No último sábado, 7 de junho, em momento mais democrático do que nunca, o Movimento do Ministério Público Democrático reelegeu o promotor Roberto Livianu em eleição que contou com a participação de ....uma chapa.


E viva a democracia!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Sonho bobo

por Vilauba Herrera

Quando bato a última tecla, meu corpo dói
A boca seca e escuto a bronca, calado
Ah, como eu queria ser um super-herói
Daquele que não marca toca, arrojado

Queria transformar batuque em poesia
Não essa coisa assim, meio chinfrim
Esse texto cheio de erros e heresia
Sem rima, sem rumo, com resto e com fim

Ana, Bebel, Bárbara, Isabela e Carolina
Todas elas em uma oração ao tempo
Todas belas em minha solidão ao vento

Gilberto, Chico, Tom, João, Caetano, Nara e Zés
Mas não sou anjo e esqueceram das minhas asas
E me contento e tento andar só com pés

domingo, 25 de maio de 2008

Fuga

por Vilauba Herrera

Levantou num salto. Já estava acordado e vestido. Só enrolava na cama, com os braços para atrás, mãos na nuca, reparando de olho fechado a respiração falha. Nariz entupido.
Pegou o fio dental verde. Tirou o pedaço necessário, encostou o ombro na porta de ferro da sacada. Do oitavo andar ele via o dia feio e cinza e triste. Jogou o fio dental verde e vermelho no lixo. Espreguiçou, gemendo.

Olhou no relógio, enquanto ligava o som. Música francesa. Sentou no sofá azul gasto. O teto era sujo, as paredes com quadros amarelados. Levantou, pegou a carteira em cima da mesa, os óculos e caminhou até a porta. Hesitou. Maia volta e entrou na cozinha. Abriu a geladeira. Com a porta escancarada, abriu uma gaveta do armário, tirou uma faca e pegou um pequeno pedaço de queijo branco. Lavou, secou e guardou a faca. Abriu o freezer, tirou um cubo de gelo da forma, jogou na boca e fechou a geladeira. Tentou cantarolar a música com o gelo na boca, babou na camiseta, ficou irritado, engoliu o cubo, engasgou, tossiu e sentiu dor nas costas.

No banheiro, olhou-se no espelho. Passou a mão nos cabelos, abriu a boca, viu a mancha de água na roupa.
Saiu em disparada, passadas rápidas, abriu a porta e antes de fecha-la, escutou mais um pouco da simpática canção, que não entendia."On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose..."

Fechou a porta, desceu a escadaria vermelha. Esperou o porteiro ir até a garagem e passou pelo portão. A tarde acabava. Atravessou a rua, andou vacilante até a esquina. Ainda viu o primeiro carro de polícia parar em frente ao prédio.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um dos últimos marcianos

por Vilauba Herrera

Morreu o senador Jefferson Péres (PDT - AM). Fica aqui um lúcido comentário sobre a "polêmica" discussão sobre a legalização das drogas. Não é culpa minha, mas também vão aparecer algumas almas penadas, pesadas....

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Marcha ré (2ª)

por Vilauba Herrera


Alguém me responda. Por que Marcha da Maconha não pode e Marcha para Jesus pode?

Por que Jesus, seus empresários e fãs podem parar o trânsito de São Paulo?

Por que o Apóstolo condenado por crimes de conspiração {a bispa está encarcerada) e contrabando pôde aparecer em um telão e tagarelar para o povaréu, incluindo o prefeito da cidade e a candidata ao cargo pelo PT?

Por que em 2009, o prefeito do DEM(os) já avisou que vai liberar o autódromo de Interlagos para o evento?

Se o problema é o nome, podemos, no ano que vem mudar o nome da marcha. Que tal Marcha pela brisa divina, ou então, Marcha para abrir a mente. Talvez o melhor seja jogar com a arma do inimigo. Marcha para Jesus... and Mary Chain. Assim, acho que rola.



---Jesus and Mary Chain---

domingo, 18 de maio de 2008

Domingo eu quero ver....

por Vilauba Herrera



Hoje, o Domingão do Faustão, autor de pérolas como o Latininho, Sushi erótico e uma série de quadros de alta qualidade e divertimento, como video-cacetadas (antiquíssimas), dança dos famosos e arquivos confidenciais, completou 1000 programas.

São quase 20 anos de "Oh loucos", "Mais do que nuncas" e "Quem sabe faz ao vivo", que apresentam a decadência, preguiça, sadismo e picaretagem da TV Brasileira. E o pior é que o programa, apesar de algumas instabilidades, causadas pelos competitivos Gugu e Raul Gil, mantém uma audiência enorme.


Nessas horas, percebo que a televisçao vicia. tenho certeza que assistir Domingão do Faustão é o álcool, a cocaína de milhões de aposentados, trabalhadores e trabalhadoras, que poucas horas depois, estarão em seus empregos, em mais uma segunda-feira dura, repleta de ônibus lotados, trens suados, patrões irritados e salários perfurados.

Mais vergonhoso é o presidente da República, em mais um momento de populismo barato e desnecessário, colocar sua cara na tela para felicitar a marca obtida pelo rechonchudo e sem graça apresentador.

Desgraças televisivas não são produzidas apenas no Brasil. Programas como o do Faustão são projetos norte-americanos, fato. Mas neste domingo, não há nada mais negativamente emblemático neste país, do que a festa pelos 20 anos do "Domingão".





quarta-feira, 14 de maio de 2008

Confabulações midiáticas sobre o caso Isabella (Janela)

por Vilauba Herrera

- Com o aumento de 40% de televisores ligados para acompanhar a cobertura do caso, as emissoras de TV tentam usar até os ossos do evento para garantir mais telespectadores e anunciantes indignados. A Record na briga pela "exclusividade" com a Globo, chegou a fazer uma matéria sobre sua própria cobertura do caso. Os jornalistas se entrevistavam, explicando onde estavam quando o promotor chegou ao fórum, como conseguiram fazer uma pergunta ao Nardoni-pai em meio ao tumulto de policiais, jornalistas, fotógrafos e desocupados que se acotovelavam na frente das delegacias e o escambau.

- Enquanto a Record (Universal do Reino de Deus) fez uma auto-matéria, a Globo (Católica apostólica Romana) se deu melhor, já que os acusados, Nardoni-filho, Jatobá-madrasta e Anna Carolina-mãe, deram entrevistas exclusivas para Walmir Salaro e Patricia Poeta. Além disso, Anna Carolina-mãe virou devota de padre-cantor-ator e estudante de jornalismo, Marcelo Rossi.
- Como jornalista, admiro as investigações feitas por repórteres, suas fontes, malandragens e tudo mais. O que não entendo e o caso Isabella (Janela) é a divulgação sem controle de informações de um caso que ainda não foi concluído. Acho importante a descoberta e divulgação dos fatos para o público, essa é a função da profissão. Mas acho perigoso o modo descontrolado como a imprensa derrama informações pouco precisas, suposições, especulações. O promotor, advogados, delegados, irmã do Nardoni-filho, de apenas 20 anos, estudante de direito, dando uma série de entrevistas, como se estivessem com o resultado das investigações na mão.

- E os discretos helicópteros colocados em cima do enterro de Isabella, como se fosse um show de rock. Ou será que isso era só um capítulo fúnebre de um novo Big Brother.