quarta-feira, 18 de junho de 2008

Vitória

por Vilauba Herrera





Fazia tempo, 22 temporadas. Durante anos, torci para times que sequer ganhavam 20 partidas por temporada, equipes lideradas por meu jogador predileto, o armador Dee Brown, time que ainda tinha Parish, contemporâneo dos tempos áureos de Larry Bird e cia e ultrapassou os 40, dentro das quadras. Ainda assisti o veterano Dominique Wilkins, em final de carreira, comandar o time eliminado pelo Orlando Magic de Shaq, nos playoffs de 1995. Após tanto sofrimento, a fila acabou.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Desde o tempo ....do onça

por Vilauba Herrera

Acordou com a boca seca. Olhou de lado, a garrafa mais seca que sua língua. Levantou com a mão apoiada no colchão e a outra coçando os olhos remelentos. Cambaleou até a pia do banheiro e improvisou um bebedouro. Emendou uma chuveirada e se vestiu molhado mesmo. O calor permitia. O telefone tocou.
- Alô.
- Alô, Américo. É sua tia Eneida.
- Oh tia, tudo firmeza?
- heim?
- Tudo bem com a senhora?
- A meu filho, tudo daquele jeito. To ficando velha...
- Que isso, tia, você está de boa, inteiraça!
- Nada, Américo, por fora bela viola, por dentro pão bolorento.
- ...
- E como você está, Américo? Sua mãe me disse que está desempregado.
- É tia, mas daqui a pouco eu vazo daqui e descolo um trampo noutro pico.
- Heim?
- Quero ir embora, tia, preciso sair dessa cidade.
- E vai para onde, Américo? A Mirdes me disse que você não tem um tostão furado, que está matando cachorro a grito.
- Não é bem assim, tia, não é bem assim, não tô matando cachorro nenhum. É que tá treta aqui, não consigo desenrolar nada. Se pá, vou pro Nordeste.
- O que? Américo, o senhor está pensando que berimbau é gaita? Ir para o nordeste como? Vai fazer o que lá?
- Pô, tia, um truta meu foi pra lá e se deu bem, abriu uma barraca na praia, vende uns refri, umas brejas.
- O que é isso, Américo? deixa de ser paspalhão, isso não é vida.
- Claro que é tia. Se um bagulho desse virar, eu tô feito.
- Américo, você era um menino tão curioso, espoleta, serelepe. Deveria tentar alguma coisa com computador. Um filho de uma cumadre minha começou a mexer com isso e já comprou um carro. Américo, computador é a coqueluche do momento!!
- Não, tia. Eu não manjo dessas coisas. Meu negócio é trampar na rua, trocar idéias. Informática é papo de nerd.
- O senhor está sendo cabeça dura. Deveria tirar as barbas de molho e procurar emprego em uma firma dessas. Tenho certeza que rapidinho iria arrebentar a boca do balão.
- Sussa, tia. Mas agora vou desligar. Tchau.
- Tchau, Américo. Fique com deus.
...

- Alô.
-Alô, Mirdes?
- Eneida, tudo bem?
- Comigo tudo bem. Mas falei com seu filho. Mirdes, Américo está com umas idéias, heim?
- Eu bem sei. Disse que quer ir para o norte, trabalhar na praia.
- É, ele está perdidinho, mais por fora do que umbigo de vedete.
- Hahahahaha, ai Eneida, você e suas frases engraçadas. Eu não entendo patavinas.
- Não mude de assunto, Mirdes. Seu filho está numa situação de lascar.
- Será o Benedito, Eneida? O menino já está com 32 anos. Ele que resolva a vida dele. Essa batata quente não é minha e nem sua. Agora deixa eu lhe falar. Fiz um docinho de abóbora, porque você não vem com a Zumira, amanhã, para provar.
- Tudo bem, mas nós vamos continuar essa conversa, dona Mirdes, não tem choro e nem vela. Além disso, esse doce deve estar supimpa, não é?
- Chuchu beleza.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Repaginada

por Vilauba Herrera

Novidades no resmungos. Isso Graças ao camarada e fantástico blogueiro e escrevedor e fotógrafo Dubem, a quem sou grato.


O cara é dono dessa aqui e outras mais...




terça-feira, 10 de junho de 2008

Momento piada

por Vilauba Herrera

No último sábado, 7 de junho, em momento mais democrático do que nunca, o Movimento do Ministério Público Democrático reelegeu o promotor Roberto Livianu em eleição que contou com a participação de ....uma chapa.


E viva a democracia!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Sonho bobo

por Vilauba Herrera

Quando bato a última tecla, meu corpo dói
A boca seca e escuto a bronca, calado
Ah, como eu queria ser um super-herói
Daquele que não marca toca, arrojado

Queria transformar batuque em poesia
Não essa coisa assim, meio chinfrim
Esse texto cheio de erros e heresia
Sem rima, sem rumo, com resto e com fim

Ana, Bebel, Bárbara, Isabela e Carolina
Todas elas em uma oração ao tempo
Todas belas em minha solidão ao vento

Gilberto, Chico, Tom, João, Caetano, Nara e Zés
Mas não sou anjo e esqueceram das minhas asas
E me contento e tento andar só com pés

domingo, 25 de maio de 2008

Fuga

por Vilauba Herrera

Levantou num salto. Já estava acordado e vestido. Só enrolava na cama, com os braços para atrás, mãos na nuca, reparando de olho fechado a respiração falha. Nariz entupido.
Pegou o fio dental verde. Tirou o pedaço necessário, encostou o ombro na porta de ferro da sacada. Do oitavo andar ele via o dia feio e cinza e triste. Jogou o fio dental verde e vermelho no lixo. Espreguiçou, gemendo.

Olhou no relógio, enquanto ligava o som. Música francesa. Sentou no sofá azul gasto. O teto era sujo, as paredes com quadros amarelados. Levantou, pegou a carteira em cima da mesa, os óculos e caminhou até a porta. Hesitou. Maia volta e entrou na cozinha. Abriu a geladeira. Com a porta escancarada, abriu uma gaveta do armário, tirou uma faca e pegou um pequeno pedaço de queijo branco. Lavou, secou e guardou a faca. Abriu o freezer, tirou um cubo de gelo da forma, jogou na boca e fechou a geladeira. Tentou cantarolar a música com o gelo na boca, babou na camiseta, ficou irritado, engoliu o cubo, engasgou, tossiu e sentiu dor nas costas.

No banheiro, olhou-se no espelho. Passou a mão nos cabelos, abriu a boca, viu a mancha de água na roupa.
Saiu em disparada, passadas rápidas, abriu a porta e antes de fecha-la, escutou mais um pouco da simpática canção, que não entendia."On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose..."

Fechou a porta, desceu a escadaria vermelha. Esperou o porteiro ir até a garagem e passou pelo portão. A tarde acabava. Atravessou a rua, andou vacilante até a esquina. Ainda viu o primeiro carro de polícia parar em frente ao prédio.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um dos últimos marcianos

por Vilauba Herrera

Morreu o senador Jefferson Péres (PDT - AM). Fica aqui um lúcido comentário sobre a "polêmica" discussão sobre a legalização das drogas. Não é culpa minha, mas também vão aparecer algumas almas penadas, pesadas....